O surto de doença de Chagas registrado no mês passado no litoral de Santa Catarina, devido à ingestão de caldo de cana contaminado, está motivando ações da Saúde em Londrina. Ontem, a Vigilância Sanitária iniciou o trabalho de vistoria carrinhos de caldo de cana da cidade. As equipes estiveram em 60 pontos de venda de garapa até as 17 horas. Os garapeiros foram orientados sobre cuidados de higiene pessoal e no transporte e manejo da matéria-prima e do produto. Nenhum auto de infração foi lavrado.
O objetivo é fazer um levantamento geral da situação dos garapeiros. O trabalho rotineiro foi intensificado devido à disseminação da enfermidade no Estado vizinho. A Vigilância estima que existam 120 pontos de venda na cidade. A documentação obrigatória - licença sanitária e alvará de funcionamento - também foi cobrada na vistoria.
O medo de contaminação provocou uma queda acentudada nas vendas dos garapeiros nos últimos dias. Há oito anos no ramo, Pedro Stersi, 67, afirmou que o movimento no ponto na Avenida Saul Elkind (Zona Norte) nunca foi tão fraco. A venda média de 60 copos por dia caiu drasticamente. ''Hoje (ontem) ainda não vendi dez copos'', queixou-se. Para o ambulante, a fiscalização é importante, mas não deve contribuir com a recuperação na comercialização. ''Se pararem as notícias, deve melhorar. O povo aqui é humilde e não entende que não tem problema em Londrina'', opinou.
A vistoria foi baseada principalmente em orientações para os garapeiros. No caso de Stersi, os agentes cobraram maiores cuidados no transporte e manutenção da cana dentro da kombi. O comerciante concordou com as dicas repassadas pelos agentes. ''Sem comentários (sobre a fiscalização). É muito boa. Vou até passar a trabalhar com um trailer que tem condições melhores'', revelou. A postura de vistoria baseada em orientação é privilegiada pela Vigilância para tirar as dúvidas dos ambulantes. Uma reunião com os garapeiros deverá ser marcada na próxima semana.
A estratégia também é explicada pelas multas pesadas impostas pela legislação federal para falta de higiene na comercialização de produtos alimentícios. Os valores variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, o que inviabiliza a punição contra os garapeiros.

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