Rio- O Ministério da Saúde vai mudar a política nacional de atenção ao câncer para aumentar a capacidade de diagnóstico precoce da doença. A portaria com as novas diretrizes, a ser assinada na segunda-feira, no Rio, prevê, entre outras medidas, a inclusão das unidades da área básica de assistência, como postos, ambulatórios e equipes do Programa de Saúde da Família, nas ações de prevenção e detecção dos tumores. Quando diagnosticados em fase inicial, e adequadamente tratados, as chances de cura podem superar 90%.
''Historicamente, o câncer é visto como um problema de alta complexidade. Mas até chegar a essa fase, na qual o atendimento é feito nos hospitais de referência, há várias ações na ponta do sistema que podem ser realizadas'', disse o diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Antonio Santini, ao lançar a Estimativa de incidência por Câncer no Brasil para 2006.
Em 2006 devem ser diagnosticados 472 mil novos casos - 234.500 em homens e 237.400 em mulheres - no País, que segue uma tendência mundial de crescimento da doença.
A nova portaria, acrescentou Santini, estabelece ainda ações diferenciais, pois tipos de câncer, taxas de incidência e de mortalidade mudam de acordo com a região. ''Precisamos de uma política direcionada. Não dá para uniformizar, pois há muitas diferenças regionais. Além disso, o que falta? Melhorar o diagnóstico. Esse é um problema para qualquer tipo de câncer'', avaliou, citando o caso do câncer de colo de útero, que surge a partir de lesões facilmente detectáveis em um exame ginecológico de rotina.
''Os profissionais, sejam dos ambulatórios, dos postos, do Programa de Saúde da Família, precisam estar equipados para fazer exames ginecológicos, ter laboratórios de referência e confiança no resultado. É necessário treinamento, capacitação, recursos direcionados'', afirmou Santini.
Segundo a coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, Gulnar Mendonça, cerca de 30% das mulheres entre 25 e 59 anos nunca fizeram um exame ginecológico ou não o fazem há mais de três anos. Ela destacou que a sociedade deve pressionar as autoridades para aumentar os recursos destinados à política de atenção oncológica. ''O governo tem que ser cobrado'', afirmou, considerando o maior problema a distribuição dos recursos.

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