Brasília, 29 (AE) - O Ministério da Saúde vai precisar complementar seu orçamento para conseguir fechar o ano por causa da desvalorização do real, admitiu hoje o secretário-executivo da Pasta, Barjas Negri. Apesar da crise financeira, porém, Negri não acredita que enfrentará dificuldades para reforçar o orçamento. "Tenho certeza que o Planejamento vai refazer nossas contas", disse. "Não faltará medicamentos ou vacinas no Sistema Único de Saúde", frisou. Na semana passada, o ministério precisou desembolsar R$ 2,5 milhäes a mais para pagar a última parcela da importação de vacinas antigripais para atender à população idosa.
Este ano, o Ministério da Saúde ampliou o programa de imunização, incluindo a vacina contra a heptatite B, contra a difetria e tétano para idosos e, a partir de abril, os postos de saúde também vão aplicar as vacinas contra a gripe e pneumonia na população com mais de 65 anos de idade, elevando os gastos com vacinas e medicamentos.
Justamente no dia em que o câmbio foi liberado, na semana passada, Barjas assinou a última carta de crédito de um total de US$ 60 milhäes para a compra das vacinas antigripais. O dinheiro foi tranferido para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), que faz a licitação internacional a preços mais baixos para os países membros. Por causa da desvalorização, o ministério contabilizou o primeiro do que poderá ser uma série de prejuízos.
Em 1998, foram gastos R$ 173 milhäes na aquisição e aplicação de vacinas no País. Este ano, a previsão do orçamento é de R$ 195 milhäes para imunizantes e outros R$ 691 para a compra de medicamentos. Negri explicou que parte do dinheiro já foi aplicada. "Por isso, creio que só passaremos a ter problemas de caixa no final de ano, quando será preciso pagar as últimas licitaçäes", disse.
Ele explicou, no entanto, que a intermediação da OPAS tem sido importante na obtenção de economia expressiva para o Brasil. Só no ano passado, R$ 24 milhäes deixaram de ser gastos com a compra de vacinas com a negociação dos preços internacionais. "Por causa disso, temos podido aumentar consideravelmente os gastos com a compra de vacinas sem aumentar os custos", ressaltou o secretário- executivo. "Mas, com o desvio do câmbio, meu gasto vai aumentar", admitiu.

mockup