Saúde vai ''obturar'' sibipirunas
Silvana Porto
De Paranavaí
Especial para a Folha
As árvores de Paranavaí estão no alvo da saúde pública depois que
técnicos do Programa de Erradicação do Aedes aegypti (PEAa) encontraram larvas de pernilongos e do mosquito da dengue nos troncos de sibipirunas. A espécie é a mais utilizada na arborização da cidade e agora terão os buracos obturados para evitar a proliferação dos insetos.
As árvores armazenam água na bifurcação dos troncos ou em áreas de poda e criam condições para a reprodução de insetos. Além da obturação, foram apresentadas outras duas propostas: drenar a água através de canais abertos no interior do tronco ou erradicar com a sibipiruna da cidade.
A opção mais viável foi de tapar os buracos. Nossa maior preocupação é fazer com que a comunidade compreenda que a obturação não traz prejuízo à árvore, explica o presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Benjamin Balsalobre.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) foi consultado e confirmou que os buracos tapados com cimento não prejudica a árvore. O chefe do escritório regional do IAP, Francisco da Silva David, explica que as obturações são permitidas, desde que a massa utilizada não leve cal. Não existe impedimento legal por parte do IAP, e a prefeitura que autoriza o procedimento, diz.
O secretário municipal de Saúde, Valter Ismael Volpato, que é presidente da PEAa, disse que foram encontrados focos dos insetos em diversas sibipirunas e que o problema exige solução urgente. A sibipiruna se tornou uma poluição verde, um câncer para Paranavaí, afirmou.
As razões para a afirmação são muitas: as inúmeras queixas da comunidade com relação às pequenas folhas e às flores da espécie, que caem em excesso durante o outono e inverno. Agora também pelo fato da sibipiruna contribuir para a proliferação do mosquito da dengue e do pernilongo. Existe inclusive um estudo para a substituição da espécie.
A obturação das árvores para o presidente da Associação de Defesa do Consumidor e Meio Ambiente de Paranavaí, Marcos Catalan, fere a legislação ambiental. Ele diz que leis recentes e o Código Florestal podem ser consultados contra a iniciativa de tapar os buracos das árvores.
Catalan questiona também o fato do IAP ter autorizado o procedimento, pois acha que o cimento é prejudicial à árvore. Para ele as afirmações de Volpato podem levar os moradores a cortarem as sibipirunas, sem critério algum.





