Mais rigorSegundo Albuquerque, controle de qualidade das vacinas será ampliadoDesabastecimento e
reações a vacinas
estão levando o
programa ao descrédito O Ministério da Saúde está reestruturando todo o programa de vacinação no País. ‘‘Estamos salvando o Programa Nacional de Imunização’’, afirmou ontem o ministro Carlos Albuquerque, ao anunciar a ampliação do número de laboratórios que farão o controle de qualidade das vacinas importadas pelo Brasil e a criação de um programa nacional que unificará o acompanhamento dos casos de reações. As alterações vão permitir ao governo controlar desde a compra dos produtos até as reações causadas nas pessoas imunizadas.
Reconhecido internacionalmente como modelo, o programa de imunização brasileiro vem passando por crises e tem provocado a desconfiança da população. Entre os motivos estão o desabastecimento frequente e os vários casos de reações que levaram ao recolhimento de milhares de doses de vacinas. ‘‘O problema das vacinas era sério, grave e importante’’, ressaltou o ministro da Saúde, explicando que as compras por licitação eram sempre ‘‘controversas’’.
Carlos Albuquerque disse ainda que o monopólio do Instituto Nacional de Controle de Qualidade de Saúde (INCQs) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na realização dos testes de qualidade criavam um ‘‘gargalo’’ para o setor. Para complicar, segundo o ministro, cada Estado vinha adotando uma sistemática diferente de notificação de reações adversas às vacinas. ‘‘A decisão era não resolver com medidas paliativas’’, salientou Albuquerque.
Depois de uma crise de desabastecimento no País, o ministro decidiu comprar vacinas por intermédio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), conseguindo, de acordo com ele, preços mais baixos. ‘‘Não estaremos mais sujeitos a interesses de grupos’’, salientou Albuquerque. Ontem ele anunciou que os institutos Adolfo Lutz, de São Paulo, Evandro Chagas, de Belém (PA), e o Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco vão receber R$ 6 milhões para que, em seis meses, passem a integrar uma rede, coordenada pelo INCQs, para avaliação da qualidade das vacinas que chegam ao Brasil - mais de 190 milhões de doses anuais.
Um guia com todas as reações mais comuns às vacinas, feito em conjunto com a Sociedade Brasileira de Pediatria, já está sendo imprimido e será distribuído nos postos de imunização, como um dos passos para o início do monitoramento das chamadas reações adversas, a exemplo das que determinaram em março o recolhimento de cinco milhões de doses da vacina tríplice importadas da Índia. Noventa técnicos dos estados estão sendo treinados para repassar informações e uma ficha nacional de notificação de reações será adotada.
‘‘Sem um sistema, não podíamos avaliar se as reações que determinada vacina causam estão dentro do padrão’’, disse Albuquerque. Para se ter uma idéia da falta de controle das reações, a média internacional de casos de convulsão em criança vacinada com a tríplice é de um para até 30 mil doses aplicadas. No Brasil, a notificação é de um para 130 mil doses aplicadas. ‘‘Isso não significa que a vacina aqui é melhor, mas que não há controle muito bom’’, afirmou Jarbas Barbosa, do Centro Nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde.

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