Saúde teme epidemia de dengue hemorrágica
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Passado o período crítico da epidemia de gripe A (H1N1), a preocupação das autoridades de saúde do Paraná agora se volta para a dengue. Segundo o secretário estadual da Saúde, Gilberto Martin, neste ano foi detectada a circulação de três tipos de vírus da dengue no Estado. A última vez que essa situação ocorreu foi em 2002, ocasionando uma epidemia da doença no ano seguinte, quando mais de 9 mil casos autóctones foram registrados no Paraná.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), desde 2002 circulava no Paraná apenas o vírus tipo Den 3. Este ano circulam os tipos Den 1, Den 2 e Den 3 (veja quadro). A nossa preocupação é que venhamos a enfrentar uma epidemia como a de 2003 e, ainda, uma epidemia de dengue hemorrágica, alerta Martin.
Isso porque a dengue hemorrágica acontece quando uma pessoa, que já contraiu um dos tipos de vírus e teve a chamada dengue clássica, é infectada por um tipo diferente. Segundo Ronaldo Trevisan, técnico do Programa de Combate à Dengue da Sesa, é raro que a dengue evolua para a gravidade na primeira contaminação. Mas, ao contrair um segundo tipo de vírus, a reação imunológica do organismo é muito forte, resultando em hemorragias que iniciam leves, na gengiva, e podem chegar a graves, internas, na região abdominal.
Segundo Martin, a forma de enfrentar a dengue é diferente da gripe. Se para o vírus Influenza A (H1N1) existe a perspectiva da chegada da vacina, a única vacina contra a dengue é a destruição do seu vetor, o mosquito Aedes Aegypti. O enfrentamento da doença depende de ações do poder público e de muita mobilização da população. O auge da epidemia coincide com o auge do verão, por isso as ações para eliminar ao máximo o mosquito serão intensificadas desde agora até janeiro do próximo ano, explica o secretário.
Ele argumenta, ainda, que existe um descaso em relação à doença por uma questão cultural, já que muitos acreditam que a doença não é problemática. A dengue só vira preocupação depois que começa a matar. Mas esse é um problema cíclico, ligado a capacidade de mobilização da população, diz.
Para matar o mosquito, é preciso acabar com os focos de reprodução dele, ou seja, eliminar qualquer possibilidade de haver acúmulo de água. Para isso, pneus, vasos de plantas, garrafas vazias, entre outros, não podem ficar expostos à água da chuva e caixas dáguas devem ser vedadas.


