Após mais de um mês suspenso, o fumacê tornou a ser aplicado na tarde de ontem em Londrina. As equipes da Secretaria Municipal de Saúde rodaram os bairros com situações mais críticas nas zonas oeste e norte da cidade. Apesar da primeira reação negativa por conta do barulho alto e do cheiro característico, a população comemorou o retorno da aplicação do Malathion, inseticida usado no combate ao mosquito Aedes aegypti que estava em falta em todo o País. O medo é que a epidemia se alastre ainda mais. A morte de uma mulher de 41 anos, suspeita de ter sido causada por dengue hemorrágica, é investigada.
Dos 8 mil litros do veneno esperados pelo município, o Ministério da Saúde enviou apenas 1,4 mil, quantidade suficiente apenas para três dias de aplicação, segundo a chefe da 17ª Regional de Saúde, Terezinha de Fátima Sanchez. Segundo ela, mais 2 mil litros do veneno são esperados para os próximos dias. A aplicação do fumacê é feita em três ciclos de cinco dias. São três semanas seguidas da atividade de erradicação do mosquito da dengue.
O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, demonstrou preocupação com a quantidade de veneno aquém do necessário e ressaltou a importância das aplicações. "Tem que ter o fumacê. A falta do fumacê prejudica o combate à dengue, mas tem que ter [o veneno] na quantidade necessária. O controle da quantidade de inseticida enviada aos municípios é feito pelo Ministério da Saúde, que distribui aos Estados, que só então encaminham para os municípios conforme a necessidade de cada um", detalhou o secretário.
A diretora municipal de Vigilância em Saúde, Fátima Tomimatsu, informou que para fazer a aplicação correta em Londrina, seriam necessários oito caminhões, o dobro do que a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) disponibilizou para o município. Outros dois veículos são usados no combate ao Aedes em Centenário do Sul e Ibiporã, cidades da área de abrangência da 17ª Regional de Saúde que também estão em situação de epidemia de dengue.
A reportagem acompanhou um dos caminhões na tarde de ontem pela zona oeste. A dona de casa Dalva de Oliveira, moradora no Conjunto Veraliz, comemorou a passagem do fumacê. "Quando escutei o barulho já fiquei feliz. Tem muita gente com dengue aqui, não podemos ficar tanto tempo sem o veneno", comentou. A aposentada Lourdes de Souza também se alegrou ao ver o fumacê. "Você acredita que até meu médico pegou dengue? A fila para atendimento agora está enorme", contou. "A gente espera que não falte veneno de novo, porque o problema é muito sério", completou.
A previsão inicial da Secretaria de Saúde era aplicar o inseticida nos jardins do Sol, Santiago e Leonor, na zona oeste, e nos bairros João Paz, Aquiles Stenghel, Maria Cecília e Alto da Boa Vista, na zona norte, porém o planejamento pode sofrer alterações conforme a quantidade de veneno disponível nos próximos dias.

MORTE
A Secretaria Municipal de Saúde investiga uma suspeita de ser causada por dengue hemorrágica. De acordo com o secretário Gilberto Martin, trata-se de uma mulher de 41 anos que contraiu a doença em Presidente Prudente, no interior paulista, e procurou a rede municipal em busca de atendimento. O quadro se agravou e ela morreu no último sábado no Hospital Universitário. A confirmação só será possível após a divulgação de resultados de exames do Laboratório Central do Estado (Lacen), o que deve ocorrer nas próximas semanas.

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