Saúde recolhe sal com pouco iodo
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terça-feira, 01 de agosto de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
Duas marcas de sal do Paraná terão lotes apreendidos em todo o País pelo Ministério da Sáude. A Vigilânica Sanitária do Estado constatou irregularidades em alguns lotes das empresas Jasmine, de Curitiba, e Zaeli, distribuidora de Umuarama. A interdição do produto no Paraná já foi determinada pela Secretaria de Estado da Saúde. No total, onze marcas do produto estarão fora do mercado nos próximos dias. A determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária foi publicada no Diário Oficial de ontem.
O sal recolhido apresentava índice de iodo abaixo do estabelecido por lei. A constatação, segundo a Vigilância do Estado, foi feita no final do ano passado, mas apenas esta semana o Ministério divulgou as marcas que foram reprovadas nos testes feitos em todo Brasil.
O chefe da Vigilância Sanitária do Paraná, Paulo Guerra, disse que foi detectada falta de iodo em cerca de 30% das amostras analisadas. Mas em quase todos os casos, segundo ele, o sal reprovado vinha de pequenas fábricas do Rio Grande do Norte.
Este índice, garante Guerra, não deve assustar o consumidor paranaense. Posso dizer que 99% do sal consumido no Estado apresenta composição de acordo com a lei. Ele assegura que a Vigilância faz um trabalho constante de análises de amostras e tem poder de apreender lotes de marcas paranaenses. Os pacotes de empresas de fora do Estado são interditados pelo Ministério da Saúde, com base em relatórios enviados pela Secretaria.
Quase todo o produto apreendido no Paraná já foi destruído. A Jasmine Comércio de Produtos Alimentícios foi procurada pela Folha, mas informou não ter sido notificada pela Vigilância sobre o problema em um de seus lotes.
O Ministério da Saúde determinou, há cerca de dois anos, que o teor de iodo adicionado ao sal subisse de cerca de 10 milímetros para um mínimo de 40 milímetros por quilo. A resolução tem como finalidade a prevenção do bócio endêmico, doença que provoca o crescimento da glândula tireóide e a formação dos conhecido papo no pescoço. Paulo Guerra afirma que, este ano, ainda não foi registrado nenhum caso da doença no Paraná.
Em Londrina, a apreensão do produto e a inutilização ocorreram durante maio e junho, de acordo com a médica veterinária do setor de alimentos da Vigilância Santiária, Luciana Bolonhesi. Ontem, nos supermercados, muitos consumidores desconheciam o problema detectado em lotes do produto.
A dona de casa Farailde do Nascimento disse que costuma consumir o sal da marca Cisne, uma das mais populares do País, que apresentou problemas nos lotes com datas de fabricação de março/99 e julho/99, ambos com 24 meses de validade. Não fiquei sabendo de nada, disse.
Já a dona de casa Vera Lúcia Palazzi afirmou que há algum tempo ficou sabendo que o sal estava apresentando problemas. Mas, recentemente, não ouvi falar mais nada. Vou ficar mais atenta, disse. Ela costuma consumir a marca Moc, que não apresentou problemas.


