Em razão de complicações apresentadas por pacientes tratados com dipirona sódica injetável nos últimos dias, a Secretaria Municipal de Saúde de Londrina informou que retirou de circulação 12 mil ampolas do medicamento que estavam nos postos da rede pública e que faziam parte do lote sob suspeita. Um paciente morreu e outro continua internado em estado grave no Hospital Universitário (HU).
Segundo a Secretaria, no dia 5 de setembro um paciente de 71 anos teve parada cardiorrespiratória após receber a medicação no Pronto Atendimento Municipal Adulto (PAM). Ele foi reanimado, encaminhado para o HU mas faleceu anteontem. Outro paciente - um idoso de 84 anos -, medicado com o mesmo remédio no PAM no dia 17, apresentou a mesma complicação, também foi reanimado e permanece internado no Universitário.
Também está sendo investigado se o mesmo medicamento pode ter relação com as complicações apresentadas por uma criança de Prado Ferreira, internada no Hospital Evangélico.
A gerente da região central da Secretaria, Vera Lúcia Roncarati, explicou que a suspeita não foi levantada no primeiro caso porque um dos filhos do paciente informou que o pai seria alérgico à dipirona. Com o registro do segundo caso com características semelhantes, foi levantada a suspeita porque os sintomas apresentados não seriam semelhantes a reações alérgicas. ''Foi uma reação que classificamos como atípica'', comentou a secretária municipal de Saúde, Josemari de Arruda Campos.
Como o medicamento é usado em larga escala, a Vigilância Sanitária decidiu recolher para análise todo o lote que ainda estava nas unidades básicas de saúde, que somou aproximadamente 12 mil ampolas. Os exames serão feitos pelo Laboratório Central do Estado (Lacen). Como a vítima fatal já havia sido sepultada, suas vísceras não poderão ser analisadas. A investigação será feita com base em prontuários médicos e outros elementos disponíveis o que, segundo a secretária, seria suficiente para comprovar ou não as suspeitas.
Josemari assegurou que todas as medidas necessárias foram tomadas e que a situação não é para pânico. ''Mesmo não tendo confirmação de que a medicação tenha sido a causa para o quadro destes pacientes a secretaria, por cautela, decidiu retirar o lote'', destacou.
A chefe da 17 Regional de Saúde, Vânia Gutierrez, recebeu uma comunicação verbal sobre a suspeita e repassou para a chefia da Vigilância Sanitária estadual para que fossem tomadas as medidas administrativas cabíveis. Enquanto isso, o medicamento continua sendo ministrado normalmente na área de abrangência da regional. ''Não podemos fazer nenhuma interdição cautelar enquanto não forem investigados estes casos'', justificou a chefe da regional.
A Secretaria também realizou buscas na rede privada de sa© úde para localizar medicamentos do mesmo lote mas nenhuma ampola foi encontrada. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também foi informada.

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