Arquivo FolhaEstimativa incorretaGoverno paulista descobriu que vacinou menos logo após início do surtoReceio é de que
São Paulo exporte a
doença para outras
partes do PaísTodas as crianças menores de quatro anos deverão ser vacinadas contra sarampo no dia 16 de agosto, data marcada para a campanha nacional de multivacinação no País. Mesmo quem já tomou a vacina deverá repetir a dose. O Estado de São Paulo ganhará quatro milhões de doses para combater o surto da doença, que soma mais de mil casos de setembro passado até agora. Hoje, a Secretaria de Saúde receberá o primeiro lote de 700 mil doses da vacina contra sarampo.
O governo quer controlar o surto com receio de que São Paulo exporte o sarampo para outras partes do País, pelo grande volume de pessoas que aqui circula. Além da vacina específica contra sarampo, o Estado de São Paulo receberá ainda a tríplice viral, que protege a criança contra sarampo, rubéola e coqueluche. Durante a campanha, a tríplice viral será aplicada nacionalmente. O sarampo já se manifestou em outros estados, entre eles, Bahia e Ceará.
A situação em São Paulo preocupa o governo. A campanha de vacinação extraordinária feita em julho não foi suficiente para controlar o sarampo, por ter atingido apenas parte da população. O surto foi detectado com atraso e, nos últimos cinco anos, a Secretaria Estadual de Saúde trabalhou com uma estimativa incorreta sobre a população imunizada. ‘‘A secretaria imaginava estar vacinando 95% da população, mas na verdade só atingia 80%’, informou ontem o diretor do Centro Nacional de Epidemiologia da Fundação Nacional de Saúde (FNS), Jarbas Barbosa.
Essa realidade foi descoberta logo após o início do surto. Com base no número de doses de BCG, vacina que se dá obrigatoriamente aos recém-nascidos, descobriu-se o furo na estimativa. A lista de crianças que tomaram a BCG era maior que a das imunizadas com a vacina contra sarampo, aplicada somente em bebês com mais de nove meses. A falha na estimativa leva Barbosa a acreditar na hipótese de ter uma ‘‘geração inteira’’ de crianças com mais de cinco anos que não foi vacinada no momento adequado.
Para acompanhar melhor a vacinação em São Paulo, o governo federal está negociando com os governos estadual e municipal uma mudança no sistema de informação. A idéia é passar a detalhar por municípios o total de doses usadas. São Paulo é o único Estado que ainda apresenta dados globais, o que dificulta a identificação dos locais onde a cobertura de vacinas é insuficiente e precisa de reforço. Este ano, a vacinação foi reforçada nos estados do Acre e Alagoas.
Barbosa garantiu que o País não está diante de um surto generalizado de sarampo. Segundo ele, tirando os casos de São Paulo, os números registrados nos outros estados são praticamente os mesmos dos últimos dois anos. Bahia e Ceará, de acordo com Barbosa, não ultrapassaram a 30 casos cada um. Segundo ele, o governo está aplicando vacina contra sarampo em todas as crianças porque a meta é acabar com a doença até o ano 2000. Esse objetivo tem sido fixado com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

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