Pesquisadores do programa Enhancing Care Initiative (ECI), criado para analisar e melhorar o tratamento das pessoas que convivem com o vírus HIV e Aids nos países em desenvolvimento, divulgaram ontem em São Paulo resultados de pesquisa feita com mulheres vítimas da epidemia. A conclusão dos pesquisadores foi que, embora o País conte com uma política de saúde pública no setor eficiente e elogiada no exterior, o atendimento médico não atende às necessidades específicas das mulheres.
O trabalho, feito por 11 pesquisadores, durou mais de três anos e foi realizado nos Centros de Referência de São Paulo, Santos e São José do Rio Preto. Liderados pelo médico José Ricardo Ayres, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), os membros da equipe brasileira do ECI ouviram 1.068 portadoras do vírus. Destas, 116 mães que tiveram bebê em 1998.
Segundo os pesquisadores, as falhas no atendimento aumentam a vulnerabilidade ao HIV e à Aids, resultando no aumento nas taxas de prevalência do vírus entre o sexo feminino, especialmente em São Paulo e Santos. Mais de 200 profissionais da saúde participaram do encontro, que contou com a participação de representantes dos programas brasileiros, estadual e municipal de DST/Aids. A Folha irá divulgar em breve a pesquisa do ECI e as recomendações dos pesquisadores.

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