Brasília - Pela primeira vez, o governo promoverá uma campanha de prevenção a aids dirigida a travestis. A taxa de prevalência da aids entre os travestis é de oito a 12 vezes maior do que a população em geral, informou ontem o diretor do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids, Alexandre Grangeiro.
A alta incidência preocupa também porque 67% dos travestis são profissionais do sexo que atendem, na maioria, homens heterossexuais, casados e com mais de 30 anos. ''Este é o perfil da população que mais resiste ao uso de preservativos e a se reconhecer em risco'', ressaltou Grangeiro ao anunciar que a campanha ocorrerá entre setembro e dezembro, em rádios e classificados de jornais.
Um grupo de 30 travestis, a convite do programa de aids, discutiu em um workshop o enfoque e a forma como gostaria de aparecer na campanha. O trabalho, fechado ontem com um desfile de moda dos travestis, prevê campanha baseada no estímulo à tolerância e respeito ao travesti, seja na escola, entre os clientes e a população em geral.
Uma cartilha será distribuída especificamente entre os travestis estimulando o uso de preservativo tanto com os clientes ou com os parceiros fixos, além de esclarecer os direitos deste segmento. ''Travesti sempre foi visto como bagaceiro, perigoso; a campanha ajudará quebrar o preconceito e passar mensagem de respeito e auto-estima'', comentou a advogada e presidente das associações Nacional de Transgênerios (Antra) e a de Travestis do Ceará, Janaína Dutra.
O travesti conhece bem o que significa o slogan da campanha que dirá ''Ir ao cinema, estudar, ir ao posto de saúde. Às vezes, as coisas mais simples podem se tornar um pesadelo para um travesti''. Janaína conta ser comum travestis deixarem de estudar por sofrer com a ''chacota dos coleguinhas'' ou serem alvos de violência policial.

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