BRASÍLIA - O Ministério da Saúde proibiu esta semana a produção e comercialização de 136 remédios que possuem antibióticos associados a outras substâncias em suas fórmulas. Um estudo mostrou que a fixação de doses de componentes diferentes em um mesmo produto induz ao consumo desnecessário e favorece o desenvolvimento de resistência bacteriana. Todos os medicamentos, entretanto, continuarão disponíveis no mercado por 90 dias.
Três meses foi o prazo concedido pela Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVIS) do ministério para que as indústrias solicitem alterações nos registros, transformando os produtos em drogas únicas. É uma chance para que mantenham a marca no mercado. A secretária de Vigilância, Marta Nóbrega Martinez, admitiu ontem que os 400 fiscais da vigilância dos estados não teriam mesmo condições de retirar 136 marcas diferentes de remédios das cerca de 50 mil farmácias do País. A média é de um fiscal para cada 125 estabelecimentos.
Marta disse que os medicamentos - há 40 anos no mercado brasileiro - não estão na lista de alto risco, capazes de provocar deformações ou a morte para quem ocasionalmente os utilize nestes 90 dias. ‘‘Estamos tomando uma medida preventiva porque as drogas associadas estão sendo banidas há uma década no mundo e nossos estudos mostraram que elas são inadequadas’’, afirmou. As associações, em geral, são de antibióticos com antibióticos, de antibióticos com antitussígenos ou anticatarrais, e ainda com vitaminas ou vacinas antigripais.
O parecer do Grupo de Estudos sobre Medicamentos Antibióticos (Gema), da SNVIS, apoiado pelos Conselhos de Medicina e Farmácia e pela Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime), determinou o cancelamento do registro desses produtos, que correspondem a pouco mais de 10% de todas as marcas de antibióticos do mercado.
‘‘Todo o produto tem efeito adverso, e se você fixa a dosagem de dois fármacos em um mesmo produto você limita o médico, que determina o consumo às vezes inadequado de um dos componentes’’, explicou a secretária. O uso desnecessário pode ter grave consequência, porque permite que as bactérias criem resistência ao longo do tempo, e o remédio passa a não fazer mais efeito quando, de fato, for imprescindível ao doente.
Um percentual de 60% das associações proibidas têm similares no mercado em forma de droga única. Na lista divulgada pelo ministério estão, entre as associações, as marcas Bactropin Balsâmico, Expectopen, Diazol, Bronco Polimoxil, Uro Bac Septin, Uropropen, Periodine, Uro Bactrim, Ectrin Balsâmico. Outras 40 associações já foram transformadas pelas indústrias em monodrogas.
A reavaliação do arsenal terapêutico inclui a avaliação da volta do uso, desta vez restrito, da Talidomida, banida pelas deformações causadas no feto. Segundo Marta, ela será utilizada para casos específicos de doentes de Aids e continuará proibida para mulheres em idade fértil.

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