Saúde nega contaminação de plasma
Secretaria de Saúde faz rastreamento do sangue enviado a Pernambuco para contestar acusação da Vigilância Sanitária daquele Estado
Mônica Kaseker
A Secretaria Estadual da Saúde do Paraná (Sesa) está contestando a denúncia da Vigilância Sanitária de Pernambuco de que 1.879 bolsas de derivados de sangue enviadas para aquele Estado em 1996 estariam contaminadas pelo vírus da hepatite B e C. A pedido do Ministério da Saúde, técnicos da Sesa verificaram documentos originais, rastrearam todas as bolsas de plasma do lote em questão e checaram os resultados de sorologia, conferindo o controle de doadores e receptores. O relatório final da investigação foi concluído no último dia 30 de junho e encaminhado ao Ministério da Saúde.
As bolsas de plasma foram enviadas pelo Hemepar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná) ao Hemope (Pernambuco) em dezembro de 1996. Na semana passada a direção da Vigilância Sanitária (VS) de Pernambuco denunciou que constatou ‘‘fortes indícios’’ de que pelo menos um lote de plasma (parte líquida do sangue) enviado pela Secretaria de Saúde do Paraná estaria contaminado. As plaquetas e hemáceas deste lote de plasma ficaram no Paraná. Como os derivados têm prazo de validade de cinco anos, parte deles ainda poderia estar estocada no Estado.
Segundo a Secretaria da Saúde do Paraná, o Hemope recebeu bolsas de plasma de vários Estados e todas foram misturadas para realização de retestes. Para comprovar que as bolsas do Paraná não estavam contaminadas, os técnicos também conferiram a qualidade dos kits utilizados para a realização dos exames. Todos os documentos originais do Hemepar sobre o lote de 1879 bolsas foram verificados. Do total, 150 bolsas de plasma eram procedentes de Campo Mourão, 261 de Guarapuava, 26 de Cascavel, 50 de Maringá, 16 de Paranavaí e 1.376 de Curitiba.
Nenhuma bolsa de plasma do lote enviado ao Hemope teve sorologia reagente, o que confirma que as bolsas não estavam contaminadas. Segundo a secretaria, o rastreamento das bolsas de plasma possibilitou a verificação de todos os possíveis erros que poderiam ter ocorrido na ocasião das análises sorológicas passíveis de investigação no momento atual. O relatório enviado ao Ministério da Saúde ressalta que o Hemepar realiza rotineiramente o Programa de Controle Interno de Qualidade dos Testes Sorológicos, que recebeu certificação do próprio Ministério. No documento, a secretaria cobra do Hemope o fato de nunca ter comunicado oficialmente ao Hemepar qualquer problema relacionado aos lotes de plasma.

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