Agência Estado
De São Paulo
Além da febre amarela outras doenças, consideradas reemergentes, preocupam as autoridades sanitárias. Entre elas, a dengue e a cólera. Doenças reemergentes são as que foram completamente erradicadas em determinada região e, depois de um tempo, ressurgem. A explicação é de Arnaldo Lichtenstein, médico chefe das enfermarias de Clínica-geral do Hospital das Clínicas. ‘‘É o caso da varíola que, se voltar, pode ser considerada reemergente. E, também, da paralisia infantil’’, diz.
Num relatório divulgado no ano passado, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) informa que uma das causas de incidência destas doenças é a deterioração da aplicação de estratégias de saúde, em especial de vigilância e de escassez de recursos para que os laboratórios possam identificar rapidamente os agentes causadores. ‘‘Para erradicar uma doença, é necessário toda uma estrutura. Por exemplo, quando se detecta um foco de doença é preciso uma mobilização imediata para que os habitantes daquela região sejam vacinados. Isso porque, a disseminação de uma doença deste tipo é muito rápida’’, verifica Lichtenstein. ‘‘O trabalho de erradicação tem de ser constante, todos os dias, durante décadas.’’
Há, ainda, outros fatores apontados pelo médico que podem favorecer o ressurgimento de doenças. ‘‘Quanto mais o homem invade o campo, mais doenças chegam aos grandes centros’’, alerta ele, que completa: ‘‘Esta invasão desordenada, o desmatamento e a falta de cultura devem ser ponderados.’’ No sentido inverso, a migração do campo para a cidade e o turismo ecológico, em menor escala, merecem ser considerados neste processo.
O fluxo migratório área rural-urbana é mais detectado em países subdesenvolvidos. Porém, Lichtenstein destaca que o item pobreza não deve ser visto como fator precipitador de uma determinada doença. ‘‘Nos Estados Unidos a tuberculose voltou. Então, não é porque o país é considerado rico que ficará livre do ressurgimento de uma doença.’’ Porém, o médico frisa que a melhoria das condições de saúde num país está atrelada a um esforço conjunto. ‘‘A população deve fazer a sua parte, se informando e seguindo a tabela de vacinação; e o governo, através de obras sociais (água encanada e canalização de córregos são essenciais) e campanhas educativas, principalmente.’’