Saúde não pode contribuir mais para o ajuste, diz secretário do ministério
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 04 (AE) - O Ministério da Saúde não poderá contribuir mais para o ajuste fiscal, afirmou hoje o secretário-executivo Barjas Negri. O setor entrou em 1999 com um déficit de R$ 700 milhões para o pagamento dos serviços hospitalares, o que poderá acarretar mais problemas nos últimos três meses do ano. Além disso, com a desvalorização do real o ministério gastará mais do que os R$ 400 milhões estimados para a compra de medicamentos e vacinas importados.
"Temos sinais da Fazenda e do Planejamento de que poderemos executar este ano todo o orçamento", disse hoje Negri aos integrantes do Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão consultivo da Saúde formado por representantes de hospitais e secretários de Saúde. O orçamento para 99 é de R$ 19,5 bilhões. Só para custeio e capital o ministério terá R$ 14,9 bilhões, mais do que o executado no ano passado. Mas não haverá folgas, segundo o secretário, porque as despesas como os Programas de Saúde da Família e Agente Comunitário de Saúde tendem a crescer.
Mesmo que as previsões mais otimistas do governo se confirmem e o dólar se estabilize em R$ 1,70, os gastos com importações já subiriam de R$ 400 milhões para R$ 560 milhões. Barjas Negri também está trabalhando pela reposição dos R$ 700 milhões que faltam no caixa para pagar aos hospitais. O ministro José Serra está certo de que o presidente Fernando Henrique Cardoso garantirá, no decorrer do ano, o dinheiro que falta. Serra tem garantido que a população não deixará de ter remédios ou vacinas por causa da desvalorização do real.
Tuberculose - Hoje Serra lançou publicação do governo com o Plano Nacional de Controle da Tuberculose. O livro será distribuído a todos os municípios, para que os prefeitos apliquem as medidas necessárias e possam diagnosticar 92% dos casos da doença e curar pelo menos 85% dos infectados até ano 2001, metas do ministério.
De acordo com o ministro, estão garantidos os R$ 37 milhões para o programa de controle da tuberculose, até mesmo os recursos para o pagamento de bônus de R$ 150,00 para os casos diagnosticados e curados, com tratamento supervisionado com visitas às residências dos doentes para a administração do remédio. Mesmo quando não houver necessidade de supervisão, o município poderá receber R$ 100,00 por pessoa comprovadamente curada.


