Jovens e aparentemente saudáveis, a maioria dos homens que se casam e procuram ter o primeiro filho nem cogitam a idéia de que um dia podem apresentar algum problema de infertilidade. O que muitos não sabem é que apesar de grave e, em alguns casos, irreversível, a infertilidade pode ser tratada. Além de garantir ao homem a possibilidade de se tornar pai, o diagnóstico precoce proporciona qualidade de vida aos que também apresentam doenças graves.
Pesquisas apontam que 1,5% dos homens que procuram ajuda médica para tratar da infertilidade acabam descobrindo problemas sérios como tumores intracranianos, cânceres de testículo ou próstata. O urologista Rodrigo Lessi Pagani, chefe do Laboratório de Andrologia do Centro de Reprodução Humana Mário Covas, de São Paulo, explica que cerca de 40% dos homens que não conseguem ter filhos apresentam doenças que interferem na quantidade e qualidade de espermatozóides produzidos, como a varicocele, umas das mais comuns. Diagnosticadas precocemente, essas doenças podem ser tratadas e proporcionar ao homem condições normais de gerar uma vida. ''É muito comum atribuir sempre às mulheres o problema da infertilidade. Metade das causas estão nos homens e outra metade nas mulheres'', comenta.
Assintomática, a varicocele não permite que o homem perceba que está com algum problema. Pagani reforça que cerca de 30% dos casais que passam por reprodução assistida nas clínicas de São Paulo poderiam ter gerado um filho espontaneamente se tivessem passado por uma investigação mais precisa.
Autor do livro ''Infertility in the male'', publicado pela Editora Cambridge (2010), o médico explica que a varicocele pode ser facilmente tratada por meio de uma cirurgia simples e desde a adolescência já é possível diagnosticá-la. ''Entre 70% a 80% dos homens que passam pela cirurgia têm melhora importante na produção dos espermatozóides. Normalmente são as mulheres que procuram ajuda para engravidar indo direto para uma clínica de reprodução humana, o que de certa forma evita que o homem seja estudado, fazendo com que o problema continue com eles quando houver o desejo de um segundo filho'', aponta.
O urologista lembra ainda que é por isso que se ressalta a importância de exames preventivos. ''Se existe o câncer de útero é porque existe um vírus chamado HPV, e se existe esse vírus é porque ele é sexualmente transmissível. Sendo assim, além de poder estar contaminado, o homem é transmissor do vírus. Portanto, sempre vale a pena investigar para descobrir doenças e tratar da infertilidade o mais cedo possível, porque ainda que o homem tenha um filho por reprodução assistida, pode vir a morrer jovem por alguma doença que não foi tratada pela falta do diagnóstico'', finaliza.

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