SAÚDE MAIS CARA - Pacientes sofrem em busca de remédios
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quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- ''Tem dias que não tenho dinheiro nem para o passe de ônibus para ir atrás dos médicos'', desabafa a londrinense Maria José de Oliveira Ferreira, de 32 anos, portadora de Lupus, doença responsável pela deficiência imunológica do organismo, o que a obriga a uma correria constante atrás de diferentes medicamentos.
Em Curitiba, José Figueiredo também não se conforma com a necessidade de ter que enfrentar fila e burocracia, a cada três meses, para renovar o cadastro de seu pai, José Guimarães Xavier Figueiredo, de 67 anos, que recebe medicação gratuita para Doença de Alzheimer. ''Será que eles pensam que a doença vai reverter? Por que é preciso renovar o cadastro a cada três meses de uma doença que não tem cura?''
Maria José e Figueiredo são protagonistas de uma história comum a milhares de brasileiros. São pessoas que precisam de medicamentos de uso contínuo, muitos deles de alto custo e que dependem do Ministério da Saúde, de governos estaduais e municipais para receber os remédios necessários gratuitamente. Os medicamentos fornecidos constam da lista de medicamentos excepcionais, aprovada e elaborada pelo Ministério da Saúde, e que abrange 164 remédios para 31 patologias.
Atualmente Maria José gasta ''apenas'' R$ 80 por mês na farmácia. Ela ainda precisa comprar um remédio para controlar o colesterol e sinvastatina, medicamento usado por pacientes com problemas renais. ''Eles só dão esses remédios para quem é transplantado'', conta. O Lupus é uma doença que acarreta problema a diferentes órgãos, levando seu portador a usar diferentes remédios, conforme a enfermidade evolui.
''Sempre que tem uma complicação da doença é difícil conseguir os remédios'', conta Maria José. Desde o início do ano, ela já teve nefrite, uma inflamação que acomete os rins, e um enfarte. Para o problema nos rins, o médico prescreveu Nicofenolato, medicamento que só conseguiu depois de recorrer à Justiça. Com a negativa da Secretaria de Saúde em fornecer o medicamento, ela buscou ajuda junto ao Ministério Público Estadual, que obteve vitória na esfera judicial.
''Como não tinha o remédio, fiquei dois meses sem tomar, daí o rim atacou de novo'', diz. Só o Nicofenolato custaria R$ 1,3 mil a caixa, valor inviável para uma família de três pessoas que vive com R$ 600 mensais. Para piorar a situação, o filho, de 9 anos, sofre de convulsões e também precisa de medicação contínua.
O Governo do Paraná, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, gasta R$ 7 milhões por mês para atender 27 mil pessoas inscritas em programas de recebimento de medicamentos. Desse total, R$ 5,5 milhões destinam-se à compra de medicamentos excepcionais. Segundo Marinalva Gonçalves da Silva, diretora da 2 Regional da Saúde Metropolitana, o repasse dos remédios é feito mediante compromissos diferenciados fechados entre o ministério e estados.
No Paraná, o governo optou por entregar todos os remédios da lista, pagando 50% do valor, enquanto os outros 50% são bancados pelo governo federal. ''O ministério aumenta a lista todo mês com um a três novos medicamentos'', diz Marinalva. Isso vem elevando os gastos do Estado com medicamentos. Em 2003 foram gastos R$ 1,9 milhão por mês, contra os R$ 5,5 milhões este ano.


