Saúde lidera ranking de acidentes de trabalho
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quinta-feira, 19 de maio de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Considerando as proporções entre número de profissionais e a quantidade de acidentes, a área de saúde lidera o ranking de ocorrências, à frente até mesmo da construção civil. A conclusão é do do presidente da Associação Brasileira Para Prevenção de Acidentes (ABPA), Mauro Daffre. Ele esteve ontem em Curitiba reunido com especialistas em segurança no trabalho para debater a Norma Regulamentadora (NR) 32 do Ministério do Trabalho.
A norma deve ser publicada no segundo semestre e irá determinar parâmetros para a prevenção de acidentes envolvendo funcionários em estabelecimentos de saúde. O Brasil será o primeiro país do mundo a ter uma regulamentação específica no setor.
Segundo dados do Ministério da Previdência e Assistência Social, em 2003 foram registrados 390.180 acidentes de trabalho em todo o País; destes, 23.108 ocorreram com trabalhadores da área de saúde.
''Estes encontros servem para mostrar para a sociedade como será aplicada a NR 32. A norma está sendo elaborada por trabalhadores do setor, empregadores e pelo governo federal'', disse Daffre. Além do debate em Curitiba, foram realizados encontros em São Paulo e outro será feito no Rio de Janeiro, em junho. A previsão é de que a NR 32 seja publicada em agosto.
De acordo com Daffre, a norma irá contemplar diversas formas de evitar acidentes, como capacitação de profissionais e mudanças nos ambientes de trabalho e no acondicionamento de substâncias e de amostras. ''Obviamente, será necessário negociar prazos de implementação. Não podemos esperar que todos os estabelecimentos se adequem de um dia para o outro'', afirmou o presidente.
Ivone Martini de Oliveira, diretora da Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho, apontou que os acidentes de trabalho mais comuns na área de saúde são perfurações e cortes nas mãos, com objetos como agulhas e bisturis. ''Os ferimentos geralmente não são grandes, mas podem se tornar porta de entrada para contaminações graves, como aids, hepatite B e hepatite C'', explicou ela. A diretora comentou que outros acidentes frequentes são lesão de esforço repetitivo (LER), reações alérgicas e queimaduras.


