Brasília - O ministro da Saúde, Humberto Costa, afirmou haver fortes indícios de que hospitais conveniados do Sistema Único de Saúde (SUS) no Ceará estariam recebendo duplo pagamento pelos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A suspeita é de que as instituições contratadas para oferecer um determinado número de leitos de terapia intensiva ao sistema público de saúde estariam destinando parte dessas vagas a pacientes particulares. E que, pelo atendimento, receberiam tanto do SUS quanto de convênios. ''Tudo indica que houve a prática de duplo pagamento'', afirmou o ministro.
As suspeitas sobre os hospitais vão além. O ministro disse não estar descartada a possibilidade de a crise no Estado ter tido sua dimensão ampliada como parte de uma estratégia dos hospitais. ''Se for comprovada uma pressão velada dos donos dos hospitais para aumento do valor pago pelas UTIs, tomaremos as medidas necessárias'', afirmou Costa.
Há duas semanas, depois das denúncias de mortes de pacientes enquanto aguardavam vagas nas UTIs, o Ministério da Saúde enviou uma equipe de técnicos para avaliar as causas da crise no Ceará. Segundo ele, há muitas indicações de que boa parte dos pacientes morreu com assistência, seja em leitos semi-intensivos ou salas de ressuscitação.
Os técnicos também detectaram falhas na administração das vagas. Embora desde o início da crise argumente que o Ceará é o oitavo Estado no País em números de leitos da UTI, o ministério anunciou a abertura de 50 leitos, que deverão estar em funcionamento em um período entre 30 e 120 dias.

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