A Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro determinou a interdição cautelar dos medicamentos Cortisonal e Succinil Colin, fabricados pela União Química, depois que equipes da fiscalização encontraram dois frascos do antiinflamatório Cortisonal em uma caixa lacrada do anestésico Succinil. A troca das duas medicações pode ter sido responsável pela morte de quatro bebês no hospital Salgado Filho, na zona norte do Rio, em menos de 24 horas desde quinta-feira.
A União Química Farmacêutica Nacional considera nula as chances da veracidade da hipótese levantada pela Secretaria de Saúde. As embalagens dos medicamentos, segundo o fabricante, são individuais, lacradas e, ao contrário do que o hospital informa, diferentes.
O Succinil Colin tem embalagem, rótulo e cartucho na cor verde e a tampa do frasco-ampola é cinza. Já o Cortisonal, tem embalagem, rótulo e cartucho na cor cinza e tampa do frasco-ampola vermelha.
‘‘O Succinil não poderia estar na pediatria, pois é um anestésico fortíssimo. Já verificamos e não houve troca na fábrica’’, disse o assessor Claudemir Cruz dos Santos.
Uma inspeção dos peritos farmacêuticos praticamente descartou a tese de que a troca tenha ocorrido antes dos medicamentos chegaram ao hospital. ‘‘Os peritos percorreram todos os hospitais da rede municipal, abriram caixas de ambos os medicamentos e não encontraram nenhuma outra troca’’, disse o delegado Augusto Paiva, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública.
Paiva deveria receber até o fim da tarde de ontem a relação de profissionais que estavam de plantão na pediatria quando as quatro crianças morreram, logo após receberem a medicação intravenosa. Ele quer ouvir os enfermeiros da unidade nos próximos dias.
De acordo com Paiva, foi feita necropsia nos corpos dos meninos Renan Viana Lemos, de 5 meses, e Marcos Paulo Félix, de 2 meses. O delegado quer saber se há vestígios do Succinil no corpo das crianças. O laudo do Instituto Médico- Legal sai em cinco dias. ‘‘Obtive informação de que o medicamento some rapidamente do organismo e a exumação dos corpos já enterrados pode não surtir efeitos’’, afirmou.
O enterro de Renan Rodrigues foi marcado por cenas de desespero e revolta. O bebê, de cinco meses de idade, é um dos cinco que morreram nos últimos dias no Salgado Filho. ‘‘Meu netinho estava tão bem. Mataram ele’’, gritava a avó de Renan, Rita Lemos, 43. A mãe do menino, Rosimere Viana de Almeida, 21, estava em estado de choque.

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