Saúde intensifica ações educativas contra a dengue
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domingo, 10 de janeiro de 2016
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Da primeira semana de 2015 até a primeira semana de 2016, Londrina teve 11.126 notificações de casos da dengue. Destes, 2.946 foram confirmados e dois resultaram em óbito. O número de casos ainda não indica uma epidemia, mas o secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, alerta para a possibilidade caso os londrinenses não tomem providências para evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti.
Segundo Martin, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera epidemia quando há mais de 300 casos da doença a cada 100 mil habitantes na avaliação das últimas quatro semanas. Em Londrina, este índice tem girado em torno de 28 casos a cada 100 mil habitantes. "Ainda estamos longe de uma epidemia em relação à doença, mas estamos no ciclo da epidemia em relação à infestação do mosquito, que está muito alta", comenta o secretário.
O último Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (Lira) em Londrina, de outubro de 2015, chegou a 7,9%, índice considerado alto. "O preconizado pela OMS como aceitável para que não se tenha risco de epidemia é de até 1%. Estamos oito vezes acima do mínimo aceitável. Tivemos bairros de Londrina em que metade das casas tinha larvas do mosquito." O próximo levantamento do Lira deve ser divulgado em uma semana.
Ontem, a Secretaria realizou na Região Norte e em outras regiões de Londrina um "plantão" contra a dengue. Foram montados em locais estratégicos da cidade, com grande movimentação de pessoas, Pontos de Informação sobre a Dengue (PID) com maquetes, larvários e agentes comunitários e de endemias distribuindo folhetos e orientando a população sobre como evitar criadouros do Aedes aegypti.
Agentes também estavam fantasiados do mosquito e de uma grávida infectada com a doença segurando um boneco de um bebê com microcefalia -, com o objetivo de sensibilizar as pessoas para a prevenção não só da dengue, mas também do vírus Zika e da febre Chikungunya, transmitidos pelo Aedes aegypti.
A cozinheira Patrícia Lopes da Cruz perdeu um cunhado de 22 anos em 2012, vítima da dengue hemorrágica, em Campo Mourão. "Peguei trauma disso. Moro próximo ao lago Cabrinha e lá vive cheio de garrafas pet, latinhas. As outras pessoas não têm consciência. Até planta evito de ter porque não tenho tempo de cuidar." A costureira Cláudia dos Santos diz cuidar ao máximo do quintal de casa para evitar a proliferação do mosquito. "Lavo a vasilha de água do cachorro com água sanitária todos os dias, passo água sanitária no ralo do banheiro, sempre jogo recipientes que podem acumular água. Com essa chuva, tudo pode acumular água parada, até um copinho. Mas todo mundo tem que ter consciência, não adianta só eu cuidar."
"A gente não pode se esquecer que a duração do ovo do mosquito da dengue é 450 dias", lembra Lucimara Vasconcelos, educadora em Endemias do município. "Pode ficar um tempo sem chuva, mas o ovo pode estar em um recipiente, em uma lona, tampinha e com a chuva e o mormaço que está, vai eclodir. Por isso é importante as pessoas armazenarem lixo em local adequado, jogar tampinha de garrafa em local adequado, lavar a vasilha de água do cachorro com bucha e sempre guardar em local seco para não ter esse problema."
Em supermercado da Avenida Saul Elkind, além de um PID, havia ontem instalado um ponto de coleta de lixo eletrônico da ONG E-Lixo, onde os moradores puderam descartar aparelhos de DVD, fax, som, ar-condicionado, celulares, baterias, computadores, impressoras, entre outros sob uma taxa de R$ 5. "O lixo eletrônico, se descartado em qualquer terreno baldio ou fundo de vale, pode ser criadouros do mosquito da dengue", diz Lucimara.


