Londrina - No colo da mãe, o pequeno Carlos Gabriel, de apenas 2 anos, tinha o olhar fixo, apreensivo, para a sala onde o aposentado Manir Martins, de 70, recebia no braço uma dose da vacina que previne contra a gripe H1N1 (conhecida como influenza), na unidade básica de saúde do Jardim do Sol (zona oeste de Londrina). À vontade, Manir fez graça com a técnica de enfermagem e deixou a sala todo orgulhoso por ter sido "um dos primeiros a tomar a vacina". Na vez de Carlos Gabriel, o medo da agulha precedeu o choro inevitável pela dor da picada.
Com descontração ou sofrimento, foi iniciada ontem em todo o Brasil a campanha de vacinação contra os três tipos da gripe influenza (H1N1, H3N2 e influenza B), considerados também os mais graves. A campanha vai até o próximo dia 9 de maio.
Segundo a coordenadora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Fernandes, 139 mil doses da vacina foram distribuídas nos 53 postos de saúde de Londrina, incluindo as 14 unidades localizadas nos distritos rurais. Os frascos chegaram ao setor de epidemiologia no último dia 17, véspera do feriado de Páscoa, mas as unidades básicas só os receberam em sua totalidade na manhã de ontem, o que levou a secretaria a iniciar a vacinação a partir das 12 horas.
De acordo com a enfermeira chefe do posto de saúde do Jardim do Sol, Claudete Rocha Pereira, todas as UBS prestarão atendimento das 7 horas às 18h30. Ela espera que em média 80 pessoas sejam vacinadas por dia. Mas a secretaria pretende aumentar a demanda em todo o município com a campanha extra de vacinação programada para este sábado, dia 26, quando os postos de saúde (excluindo os da zona rural) funcionarão das 8 às 17 horas. "No sábado pretendemos aumentar o número de vacinações para que possamos cumprir a meta", afirmou Claudete.
Além de idosos acima de 60 anos e crianças abaixo de 5 anos, estão no grupo de risco da H1N1 e, portanto, devem ser vacinados, gestantes, mulheres até 45 dias após o parto, profissionais da área de saúde, hipertensos graves, diabéticos, pessoas com problemas respiratórios, neurológicos e de obesidade crônica, cardiopatas e doentes renais crônicos, além de pacientes com imunidade baixa, casos de soropositivos e pessoas com leucemia. Crianças especiais com trissomias (portadoras de síndromes neurológicas, como a síndrome de Down), também têm que ser vacinadas. "Essa vacina é a principal prevenção contra o ataque do vírus da influenza, cujos tipos mais graves são a H1N1, H3N2 e a influenza B", explicou a enfermeira. "A gripe é sazonal, mas tem seus picos no inverno, quando a imunidade está mais baixa. A campanha de vacinação é realizada nesta época para prevenir a população inserida no grupo de risco visando o inverno", complementou.
O representante comercial Sandro Vicentim, de 51 anos, é hipertenso e por isso fez questão de tomar a vacina logo no primeiro dia. Como ele tem que cuidar dos pais, que residem no Jardim do Sol, aproveitou para dar um pulo na unidade básica de saúde do bairro, embora more no San Fernando (zona leste), no outro lado da cidade. "Aqui o atendimento é ‘VIP’, muito melhor do que lá", afirmou. A atendente Rayane Cristina da Rocha, de 21 anos, está grávida de dois meses e também foi receber a sua dose. Sua preocupação era com uma possível reação do organismo à vacina. "Nenhuma", garantiu a técnica de enfermagem Mairce Terzioto Oliveira.

Leia também:

- Ação inclui maior número de crianças

mockup