Saúde indígena perde profissionais
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terça-feira, 20 de novembro de 2018
Fabiano Maisonnave <br> Folhapress 
Curitiba - A Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) perderá 301 dos seus 372 médicos com o fim da participação cubana no programa Mais Médicos - 81% total. Para especialistas, o êxodo repentino colapsará o atendimento ao segmento da população com alguns dos piores índices de saúde do País.
Os médicos cubanos estão alocados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas espalhados por 19 Estados. "Salvo por algumas terras indígenas relativamente próximas de cidades, nunca se conseguiu superar o vazio assistencial médico, em particular na Amazônia. Tal lacuna só foi parcialmente superada com a implantação do Mais Médicos. Agora, retornaremos ao nível anterior de desassistência", afirmou a médica sanitarista e antropóloga Luiza Garnelo, pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) no Amazonas.
"O problema é particularmente grave quando sabemos que o perfil de morbimortalidade indígena é um dos piores do País. Para todos os perfis de saúde para os quais dispomos de algum dado, os indicadores encontrados para a população indígena são os piores", afirmou.
Entre as estatísticas mais graves, Garnelo cita níveis elevados de anemia materna e taxas de mortalidade infantil até 20 vezes maior do que a de crianças não indígenas. Dados obtidos pela BBC via Lei de Acesso à Informação mostram que 419 crianças indígenas de até 9 anos morreram de desnutrição entre 2008 e o início de 2014.
O número representa 55% dos óbitos por esse motivo no País durante o período, apesar de os índios serem somente 0,4% da população.
Os números foram enviados pelo Ministério da Saúde na sexta-feira (16), mas a assessoria de imprensa informou que não havia ninguém disponível para falar sobre o assunto.


