Saúde incrimina 3 hemocentros
Agência Folha
De Brasília
O Ministério da Saúde concluiu em suas investigações que três hemocentros enviaram bolsas com plasma contaminado com os vírus HIV e da hepatite B e C à Fundação Hemocentro de Pernambuco (Hemope) em 1997. A falha ocorreu nos hemocentros da Bahia, de Alagoas e nos de Ouricuri e Recife, ambos em Pernambuco. Foi descartada a possibilidade de falhas nos hemocentros do Rio de Janeiro, Ceará, Paraná e Santa Catarina.
O caso foi tornado público em maio deste ano pelo ministro da Saúde, José Serra. Algumas bolsas com plasma contaminado chegaram ao Hemope, que constatou a falha e não utilizou o produto, mas não comunicou oficialmente o fato ao Ministério da Saúde para que o plasma fosse rastreado e possíveis receptores, alertados.
As investigações não encontraram nenhum caso de contaminação por esse plasma.
Para apurar como essas bolsas chegaram ao Hemope, os técnicos da Vigilância Sanitária realizaram visitas aos hemocentros suspeitos. Além disso, dentro do próprio Hemope foi feita uma sindicância interna que responsabilizou quatro funcionários do hemocentro por omissão.
Nos hemocentros de Ouricuri, de Recife e da Bahia, as falhas foram as mesmas: bolsas com sorologia positiva para HIV e hepatite foram enviadas, por engano, junto com as que tinham sorologia negativa. Os hemocentros de Pernambuco e da Bahia informaram, no entanto, que haviam descartado as bolsas contaminadas. Os hemocentros de Pernambuco enviaram oito bolsas, e o da Bahia, 30 bolsas.
Em Alagoas, ficou constatado que as bolsas sem contaminação e as contaminadas foram guardadas no mesmo refrigerador. Por isso, no momento de enviá-las a Pernambuco, algumas foram por engano. O ministério ainda não divulgou o relatório oficial com essas conclusões, mas os hemocentros já foram informalmente comunicados. O relatório final deve sair na próxima semana.





