Cidade do Vaticano - O cardeal de Tegucigalpa, Oscar Rodríguez Maradiaga, disse ontem que, se João Paulo II tivesse consciência de que não pode continuar governando a Igreja por motivos de saúde, renunciaria. E acrescentou que o Pontífice pensa o mesmo.
‘‘O Papa tem consciência de toda a responsabilidade de seu ministério e o dia que se der conta de que não pode continuar, irá renunciar’’, disse Rodríguez Maradiaga, que recebeu ontem o título de doutor ‘‘Honoris Causa’’ em ciências, concedido pela Pontifícia Universidade Salesiana.
As afirmações do cardeal salesiano – considerado um ‘‘papável’’ – coincidiram com as do cardeal Joseph Ratzinger, feitas a um jornal alemão, que não exclui a possibilidade de afastamento de João Paulo II, caso sua saúde piore.
‘‘Se o Papa visse que não pode continuar, seguramente renunciaria. Mas enquanto tiver forças para continuar, seguirá governando a Igreja’’, disse o representante da Congregação para a Doutrina da Fé ao jornal alemão da arquidiocese de Munique ‘‘Muenchner Kirchenseitung’’.
As declarações dos dois cardeais aconteceram dois dias antes de João Paulo II completar 82 anos e um depois de o Papa reiterar que, enquanto Deus lhe der forças, não pensa em se afastar. ‘‘Confio em vosso apoio espiritual para prosseguir com fidelidade à frente do ministério que o Senhor me confiou’’, afirmou para 15.000 que assistiram à audiência geral de quarta-feira.

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