Saúde foi o maior responsável pela alta do ICV
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Rosangela Capozoli 
ão Paulo, 5 (AE) - O grupo saúde foi o maior responsável pela alta do Índice do Custo de Vida (ICV), em março, com alta de 1,68%, com peso de 0,18 ponto percentual no cálculo do índice.O ICV em São Paulo, apurado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese)
fechou em 0,77% em março, contra 0,20% atingido no mês anterior. A pesquisa revela que os maiores reajustes ficaram por conta da assistência médica, com variação de 2,08%, pressionado pela elevação dos seguros e convênios, com 2,33% e consultas médicas respondeu 1 64%. Os medicamentos e produtos farmacêuticos tiveram seus preços reajustados em 0,66%. A segunda maior alta ficou por conta de transportes, com alta de 1,62%, provocando um empate de 0,25 ponto percentual no ICV.
A explicação é o aumento nos preços do transporte individual, que teve um salto de 2,25%, em função das altas nos preços da gasolina (4,95%), diesel (4,38%) e óleos lubrificantes (3,45%). A alimentação contribuiu com 0,22 ponto percentual na taxa de inflação deste mês, principalmente na majoração dos preços de alimentos in natura e semi-elaborado, responsável por um reajuste de 0,18 ponto percentual. Os maiores aumentos foram registrados nos legumes (18,72%); tomate (39,11%); raízes e tubérculos (14,70%); cebola (27,03%); beterraba (22,01%); cenoura (21,10%) e batata (9,15%). As frutas também tiveram aumentos expressivos de 6,78%.
A taxa do sub-grupo só não foi superior porque alguns itens apresentaram quedas nos preços. Os grãos, por exemplo, recuaram 2,75%, em especial o feijão 5,56% mais barato; aves e ovos cairam 1,82%; frango, com queda de 3,36%; carnes, 1,74%, apresentando o mesmo comportamento das carnes bovinas, com queda de 1,70%; e a suína 1,29%. Os ovos, ao contrário, tiveram seus preços majorados em 5,68%.
Vestuário foi o grupo que contribuiu para contenção do ICV em março, com queda de 0,44%. Segundo a pesquisa, essa queda foi determinada pelas roupas (-0,76%), em especial as de adulto (-1,40%), enquanto as infantis sofreram variação positiva de 1 27%. Os preços dos calçados se mantiveram estáveis em 0,10%. O grupo habitação, segundo o Dieese, teve um peso baixo no índice, com uma contribuição de 0,05 ponto percentual, registrando uma alta no grupo de 0,18%. Educação e leitura registrou um ligeiro aumento de 0,38%, com maior pressão no sub-grupo leitura (2%); educação variou 0,27%, com reajustes nos cursos diversos (1,26%) e, no material-papelaria (1,06%).
Inflação - A coordenadora do ICV, Cornélia Nogueira Porto, disse que os principais causadores da inflação neste trimestre foram os serviços públicos e do mercado oligopolizado e os bens cujos preços são administrados pelo governo. "Os três sub-grupos responderam por 25,24% do índice total e contribuiram com 0,86 ponto percentual no resultado da inflação que somou 1 76%", afirmou. Na sua opinião, se esses reajustes não tivessem ocorrido, a inflação do trimestre teria sido de 1,19%. Cornélia criticou autoridades governamentais afirmando que " elas deveriam ser mais atentas aos seus próprios reajustes e questionar os seguros e convênios sobre os aumentos de suas mensalidades, que nos últimos 12 meses já registraram alta de 20 3%". Para abril, Cornélia projeta uma inflação em torno de 0,5%
mas chama a atenção para os aumentos de transportes coletivos que ocorre u pela última vez em janeiro de 1999 quando a alta foi de 15%. "Se isso ocorrer, o índice atingirá patamares mais elevados", afirmou. A alta na alimentação, ocorrida em março, deverá se manter ao longo deste mês", disse.


