Saúde fecha clínica ilegal em Curitiba
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quarta-feira, 13 de julho de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma clínica onde eram feitas ilegalmente cirurgias plásticas, no bairro Água Verde, em Curitiba, foi fechada pela Vigilância Sanitária da Prefeitura da capital. De acordo com a assessoria da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), o estabelecimento fechado no início da semana não tinha estrutura física adequada nem licença para a realização dos procedimentos.
A médica proprietária da clínica responderá a inquérito policial. Ainda segundo a assessoria da Sesp, uma mulher denunciou à Justiça que ficou com deformações no corpo depois de ter sido submetida a cirurgia plástica nos seios e lipoaspiração no abdômen. Os procedimentos teriam sido realizados em 2003 na clínica fechada pela Vigilância Sanitária.
A equipe do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) está investigando o caso. O órgão é uma delegacia especializada da Polícia Civil que está em funcionamento desde março, mas cuja criação foi anunciada oficialmente apenas ontem pela Sesp.
''Os membros do Nucrisa investigam crimes contra a saúde pública e acidentes de trabalho, como erros médicos, fraudes em receitas e clínicas que realizam abortos. Em Curitiba, a demanda por um órgão especializado dessa natureza era grande. Antes, os inquéritos do tipo eram feitos nos distritos policiais'', comentou o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Ele disse que não há previsão de implantação de núcleos semelhantes no interior do Estado.
Os policiais do Nucrisa trabalham em parceria com integrantes do Ministério Público. A delegada coordenadora do núcleo, Paula Christiane Brisola, afirmou que atualmente há cerca de 500 inquéritos sobre crimes contra a saúde pública e acidentes de trabalho nos distritos policiais de Curitiba. ''Essas investigações serão direcionadas para o Nucrisa'', disse a delegada.
O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná, Hélcio Bertolozzi Soares, fez ressalvas à criação do núcleo. ''O exercício profissional não qualificado se configura como um crime contra toda a população. Mas considero uma ampla estupidez colocar profissionais de determinada área para fiscalizar o trabalho de profissionais de outra área'', comentou ele.
''O CRM é um órgão da sociedade como um todo, e não apenas da sociedade médica, e é o (órgão) mais habilitado para verificar se algum falecimento ou sequela não decorre do desenvolvimento de uma doença, por exemplo. Eu vejo a criação dessa delegacia especializada como um empecilho a mais para o exercício da profissão'', criticou Soares.


