A segunda etapa da campanha nacional de vacinação contra a paralisia infantil foi aberta ontem pela manhã, em Londrina, pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), que se juntou à trupe de super-heróis, fadinhas e outras figuras improvisados para atrair a garotada à Unidade Básica de Saúde do conjunto Chefe Newton (zona norte). Encantadas com a performance dos fantoches e com a presença do Zé Gotinha, a maioria das crianças não fez drama para entrar na fila e receber a vacina. Como presente, elas ganhavam um carimbo com o desenho do simpático personagem.
De acordo com a diretora executiva da secretaria da saúde, Margaret Shimit, a meta é vacinar 39 mil crianças menores de cinco anos em Londrina. Para isso, foram disponibilizados, ontem, 147 postos de vacinação, sendo 52 Unidades Básicas de Saúde e 95 locais de fácil acesso, como shoppings, calçadão, farmácias, supermercados, igrejas, escolas e terminais rodoviários. Agentes de saúde também visitaram a ala pediátrica de todos os hospitais da cidade.
Na semana passada, a vacinação foi antecipada em locais de difícil acesso, como o Jardim Santa Fé, o Parque São Jorge e alguns assentamentos. A expectativa, segundo Margaret, era de imunizar cerca de 70% das crianças até ontem. O restante deverá passar pelos postos de saúde esta semana, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. A vacina contra a poliomielite deve ser ministrada em três doses no primeiro ano de vida, com reforço um ano depois. Durante as campanhas, toda criança deve receber a vacina, mesmo aquelas que já foram imunizadas. A idéia é combater a circulação do vírus no meio ambiente, promovendo uma proteção coletiva. O poliovírus, causador da paralisia infantil, pode ser reintroduzido no país, já que sua circulação ainda ocorre em cerca de sete nações.
Margaret informa que o Paraná foi um dos Estados que conseguiu erradicar a doença mais rapidamente não há registros de casos, no Brasil, desde 1989. Mas, mesmo sem a ameaça da pólio, ''a campanha é importante porque funciona como forma de prevenção a muitas outras doenças, como hepatite, sarampo, rubéola, coqueluche, tuberculose e febre amarela. Nos postos de saúde, os agentes olham as carteirinhas. Se os pais deixaram de dar alguma vacina, a criança já recebe a dose ali'', informa a diretora.
A expectativa da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, é vacinar mais de 17 milhões de crianças em todo o País. Na primeira etapa da campanha, em 14 de junho, foram vacinadas 16,79 milhões de meninos e meninas. Isso representa a cobertura de 98,3% do total de crianças menores de 5 anos, índice superior aos 95% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Ministério da Saúde investiu R$ 41,1 milhões para realizar a campanha de 2003. Desse total, R$ 12,5 milhões foram repassados aos estados e municípios para a operacionalização das duas etapas. Nessa segunda fase, o investimento foi de R$ 14,3 milhões, sendo R$ 9,3 milhões para a compra de 29,5 milhões de doses da vacina e R$ 5 milhões destinados à publicidade.

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