Saúde faz campanha contra abuso de emagrecedores
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quinta-feira, 11 de maio de 2006
Andréa LombardoEquipe da Folha 
Curitiba - O melhor método para emagrecer é fechar a boca. O tão batido dito popular faz todo o sentido diante da preocupação com a prescrição e o uso indiscriminado de medicamentos para esse fim. Os chamados anorexígenos derivados da anfetamina podem causar dependência química e psíquisica e até mesmo levar à morte quando administrados incorretamente.
Para evitar os abusos e terapêuticas prejudiciais, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e o Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR) se uniram em uma campanha que pretende orientar os médicos a adotarem maior cautela na prescrição dos remédios para emagrecer. Segundo o CRM-PR, a campanha envolve, também, a Vigilância Sanitária, Ministério Público (MP) estadual e Polícia Federal (PF) para maior rigor no controle das importações dos medicamentos controlados e da manipulação das drogas.
A representante da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos do CRM-PR, Mônica De Biase Wrigt Kastrup, esclarece que o uso da anfetamina, no Brasil, é proibido. Seus derivados, no entanto, de uso liberado, têm a mesma propriedade química, mas com potência menor, e quando usados por tempo prolongado tendem a perder o efeito da inibição de apetite. O paciente cria resistência e a droga age apenas como estimulante, deixando a pessoa ''agitada e acelerada''.
Mônica, que é endocrinologista, concorda que o ideal seria que apenas profissionais especializados nessa área pudessem prescrever os anorexígenos. O que se constata, entretanto, é a indicação desses medicamentos por clínicos gerais e até ginecologistas, quando a paciente tem dificuldade em perder peso depois de uma gravidez, por exemplo.
''Por lei, depois de formado, o médico pode exercer toda a medicina'', afirmou Mônica ao explicar o impedimento legal de restringir o exercício à determinada especialização. Segundo ela, o assunto está em discussão no Conselho Federal de Medicina (CFR) e a expectativa é de que o órgão institua normas para as habilidades médicas.
Enquanto isso, a saída é orientar os médicos e educar a população para a necessidade de mudanças de hábitos alimentares e de vida. CRM e CRF estão elaborando uma espécie de manual sobre os critérios de utilização das drogas e de seu uso associado a outros medicamentos que são, inclusive, proibidos pelo Conselho Federal de Medicina e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O CRM-PR já instaurou vários processos éticos contra profissionais em decorrência dos tratamentos irregulares para obesidade.
Serviço:
- Denúncias contra profissionais devem ser feitas com identificação e assinatura, preservando-se o sigilo do conteúdo do documento. Onde denunciar: CRM-PR - (41) 3240-4000; CRF-PR - (41) 3363-0234; Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) - (41) 3250-4936; Promotoria de Defesa da Saúde (Ministério Público) - (41) 3250-4858; Departamento de Vigilância Sanitária Estadual - (41) 3330-4300.


