Saúde entrega teste rápido para Aids
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segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Chico Araújo Agência Estado De Brasília 
O Ministério da Saúde vai distribuir até o fim do ano para Estados e municípios, 600 mil kits para testes rápidos para Aids e sífilis em gestantes. As primeiras 200 mil unidades começaram a ser distribuídas ontem. Os testes são indicados para situações de emergência e têm o objetivo de diagnosticar antes do parto as mulheres portadoras dessas doenças e com isso reduzir a transmissão para os recém-nascidos.
É a primeira vez que esse tipo de teste é usado. Estimativas do ministério indicam que são realizados 3 milhões de partos por ano no País e calcula-se que cerca de 13 mil gestantes estão infectadas pelo HIV. No caso da sífilis, a projeção é de que 3,5% das grávidas sejam portadoras da doença. Os novos testes foram adotados porque dão o resultado em 15 minutos e não exigem estrutura de laboratórios. Pelo sistema convencional, o resultado de testes de Aids e sífilis demoram entre 15 dias e três meses para sair.
Nos casos de testes positivos de HIV, as mulheres serão tratadas com AZT durante a gravidez e o parto. A criança, filha de mãe soropositivo, receberá o xarope de AZT até seis semanas de vida. O procedimento antes do parto reduz em até 50% as chances de a criança nascer com o vírus da Aids. Já no caso de sífilis, o tratamento será feito com três doses de penicilina e pode evitar a sífilis congênita, que pode causar desde a malformação até a morte do bebê.
O coordenador nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis, DST e Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira, explicou que ainda é grande o número de mulheres no País que não fazem testes de sífilis ou Aids no pré-natal. Por isso, os testes rápidos servirão como alternativa para garantir o acesso ao tratamento, destaca ele.
Teixeira disse que os testes são mais rápidos, mas custam duas vezes mais que os convencionais. O Ministério da Saúde gasta R$ 5,40 para comprar cada teste rápido para Aids, quase três vezes mais do que o preço pago na última compra do Elisa, exame utilizado na primeira etapa do fluxograma de testes convencionais para detectar o vírus HIV.
Por serem mais caros, Paulo Teixeira diz que os testes devem ser encarados inicialmente como um recurso de urgência. O ideal é que o médico peça o teste convencional na primeira consulta de pré-natal.


