Saúde e educação são os setores mais afetados pela greve dos servidores municipais de Campinas
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de maio de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 03 (AE) - Pelo menos 60% dos 44 postos de saúde de Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, foram afetados por uma greve iniciada a zero hora de hoje pelos funcionários públicos municipais. Por causa da paralisação, apenas os casos de urgência foram atendidos. No Hospital Municipal Mário Gatti, 70% dos servidores aderiram ao movimento, segundo o Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais.
A greve é em protesto contra o corte de benefícios trabalhistas e a ameaça de demissões, que pode atingir cinco mil dos 13 mil servidores municipais. Por meio de decreto, o prefeito Chico Amaral (PPB) cortou, na semana passada, os subídios para planos de saúde, vale transporte e auxílio refeição, além de adicionais para periculosidade e insalubridade. Também está proibido o pagamento de horas extras, que deverão ser compensadas com folgas.
Pela manhã, cerca de mil grevistas se reuniram no saguão do Paço Municipal, na Avenida Anchieta, e realizaram uma passeata pelas ruas do centro. Por volta das 13 horas, os manifestantes realizaram piquetes nas portas dos elevadores, impedindo a entrada dos servidores que trabalham nas repartições públicas instaladas no prédio. Apesar de um pequeno tumulto, não foi registrado nenhum incidente envolvendo os grevistas. Saúde - No Hospital Municipal Mário Gatti, uma das únicas instituições na cidade que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes foram obrigados a enfrentar longas filas. Apenas os casos de urgência foram atendidos. O Serviço Municipal de Urgência (Samu), responsável pelo transporte de pacientes, trabalhou com 50% de sua capacidade.
Na avaliação do Sindicato, 60% dos 13 mil servidores aderiram a greve. Até o meio da tarde, a administração municipal ainda não havia divulgado um balanço dos setores afetados pela paralisação. De acordo com o sindicato da categoria, porém, além dos serviços de saúde, a rede de ensino também não funcionou. Segundo o diretor da entidade, Fábio Custódio, os funcionários de pelo menos 70% das creches e escolas municipais não trabalharam hoje.
O comando de greve chegou a propor um encontro para negociar com a administração municipal, mas até as 16 horas não obteve resposta. O prefeito viajou para a Alemanha em visita a uma feira de meio ambiente, devendo passar 15 dias fora. Nenhum funcionário do primeiro escalão quis falar sobre a paralisação. Cortes - Os cortes anunciados pelo prefeito foram propostos pelo secretário municipal de Finanças, álvaro Iglesias. Segundo ele, as medidas são necessárias para equilibrar as contas da prefeitura. Atualmente, de acordo com o secretário, a folha de pagamentos gira em torno de R$ 28 milhões, o que representa 82% das despesas mensais. Com os cortes e demissões, Iglesias espera economizar R$ 8 milhões por mês.


