Saúde do Rio raciona medicamentos para renais crônicos e transplantados
Rio, 5 (AE) - A Secretaria Estadual de Saúde (SES) voltou a racionar medicamentos a doentes renais crônicos e transplantados. Segundo o diretor de Farmácias do Estado, Antônio Carlos Moraes, o departamento herdou do governo passado uma dívida de R$ 82 milhões e os fornecedores cancelaram a entrega dos remédios. Hoje cerca de 400 pessoas passaram a madrugada na fila, em frente ao posto distribuidor de remédios da Secretaria Estadual de Saúde, no centro do Rio, mas só receberam parte dos medicamentos. Eles prometiam uma manifestação em frente à SES, para o fim da tarde.
A situação mais grave é dos transplantados que tomam o medicamento Sandimun Neural, para evitar a rejeição do novo órgão e que está em falta no estoque da SES. A secretaria oferece em troca a Ciclosporina, que tem princípio ativo semelhante, mas não é bem absorvido pelo organismo. "Cerca de 80% dos médicos se recusam a fazer a substituição e a SES também não se responsabiliza pelo que pode ocorrer aos pacientes", diz Gilson Nascimento da Silva, representante dos doentes.
A dona de casa Cleusa Lopes de Araújo, de 49 anos, chegou ao posto à meia-noite deste domingo para garantir uma das 200 senhas distribuídas a partir das seis horas da manhã. Ela saiu de Realengo, na zona oeste, e terá de voltar em 10 dias: recebeu um terço da quantidade de comprimidos necessários para impedir a rejeição de um rim, transplantado em 96. Quem não recebeu senha, passou a manhã em outra fila, aguardando o atendimento.
"Você acredita que o transplante vai acabar com seus pesadelos, mas é só o início de outros", disse a dona-de-casa Maria do Carmo Tavares, de 34 anos, mãe de Cleidiane, de 10, que recebeu um rim há quatro meses e está sem remédio desde a semana passada. Os pacientes renais receberam metade das ampolas de Hemax necessárias para conter anemias profundas. "Cada uma custa R$ 100 e não sei como fazer para tomar todas as ampolas que preciso", disse o aposentado ¶ngelo Trindade, de 63 anos.
Em todo o Estado há 950 pessoas transplantadas e 5,6 mil na lista de espera. Segundo o presidente da Associação de Renais Crônicos e Transplantados, Júlio Lucena, há cinco anos à espera de um rim, "não faltam órgãos para transplante, o que falta é estrutura nos hospitais e recursos humanos".





