O corpo técnico da Secretaria Estadual de Saúde deve recolher a partir de hoje alimentos dos lotes contaminados com aflotoxina em supermercados e pontos de venda atacadista do Estado. Entre os produtos contaminados estão pacotes de milho de pipoca, amendoim cru, amendoim descascado, doces e paçocas, produzidos em São Paulo, Paraná e Distrito Federal.
De acordo com Eliana da Silva Scucato, chefe substituta da Divisão de Alimentos da Secretaria Estadual de Saúde, o órgão aguarda apenas a comunicação oficial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ligada ao Ministério da Saúde, procedimento comum quando é comprovada a contaminação em esfera estadual, para começar a agir. A apreensão cautelar dá às empresas o direito de solicitar uma perícia da contraprova, como forma de defesa.
Dezesseis produtos – entre eles três produzidos em território paranaense – de 11 marcas estão com a comercialização proibida por uma portaria da Vigilância Sanitária do Distrito Federal, que constatou reincidência da presença da substância em laudos realizados nos últimos dois anos. A ingestão da aflatoxina provoca câncer no fígado e hepatite B, segundo recentes pesquisas.
Uma reunião que seria realizada na noite de ontem em Curitiba poderia determinar também a inspeção das instalações das unidades industriais e do sistema de transporte da Yoki, da Zaeli e da Delícia, as três empresas paranaenses que têm produtos citados na lista. Estas empresas industrializam produtos à base de amendoim, alimento mais suscetível à presença da toxina. No caso da Yoki, a única exceção da portaria, o produto com contaminação comprovada foi o milho de pipoca comum. Todos os outros produtos destas marcas foram examinados e não apresentaram contaminação.
Luiz Antonio Firmino Gomes, sócio-gerente da Docepar Alimentos, que produz a paçoca de amendoim Delícia, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), disse que vai solicitar o laudo que constatou a contaminação. Gomes afirmou que passou a dirigir a empresa no começo de outubro e que desde esta data a empresa compra amendoim de produtores que apresentam o Certificado de Classificação da Delegacia Federal do Ministério da Agricultura. O lote contaminado da paçoca é de 19 de fevereiro.
Em nota oficial da Yoki Alimentos, com sede na capital paulista e com fábrica em Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho), a empresa defende-se lembrando que desde que se detectou que o lote 45EO estava contaminado (com validade até 28 de fevereiro deste ano, procedente da Argentina), todo o controle interno de qualidade foi aprimorado e que foram importados equipamentos de última geração, em operação desde setembro. Estes equipamentos, segundo a nota, garantem a qualidade sanitária de cada um dos lotes produzidos.
O diretor comercial da Indústria de Alimentos Zaeli, Vagner Zago, informou ontem que a empresa realiza os testes para detectar se o amendoim e a pipoca de milho que industrializa estão contaminados pela aflatoxina. Segundo Zago, a empresa vai enviar hoje à Vigilância Sanitária de Brasília, os laudos que comprovam o controle de qualidade e pedir a liberação da venda de seus produtos no Distrito Federal. ‘‘Nossos produtos apresentaram irregularidades em testes realizados em março. Não fomos informados sobre novos testes, mas acredito que a Zaeli tenha sido incluída na lista porque não enviamos os laudos dos testes que estamos fazemos’’, esclareceu.
Para o diretor da Zaeli, o Governo deveria desenvolver campanhas para orientar sobre a colheita, transporte e armazenagem do amendoim, visto que o fungo produtor da aflatoxina se desenvolve quando o produto é exposto à umidade. Em dezembro, a empresa enviou correspondência ao Ministério da Agricultura, à Vigilância Sanitária e à Prefeitura de Umuarama alertando para o problema. (Colaborou Vânia Moreira, de Umuarama)

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