O secretário interino da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Márcio Nishida, afirmou ontem que o Município pretende reduzir gastos com plantões a distância a partir de 1º de setembro, quando se encerra um convênio com o governo do Estado, e aumentar o número de médicos presentes nos prontos-socorros da Santa Casa, Hospital Evangélico e Hospital do Câncer.
O Evangélico reagiu à decisão e informou, por meio da assessoria de imprensa, que o PS deve ser fechado em razão disso. ''Os médicos não vão trabalhar sem receber e sem médicos não podemos manter o pronto-socorro aberto'', alegou. A Santa Casa aguarda uma reunião marcada para a próxima quinta-feira, às 15 horas, com a presença dos diretores da unidades, do secretário e do promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, para manifestar uma posição.
Nishida afirmou que não há qualquer razão fática para os hospitais suspenderem o atendimento com a redução ou fim dos plantões à distância. ''Os hospitais mantêm contratos com valores prefixados para dar atendimento aos pacientes do SUS nos casos de urgência e emergência. Não haverá mudança neste valor.'' Os recursos federais são de R$ 1,2 milhão para a Santa Casa, R$ 727 mil para o Evangélico e R$ 434 mil para o Instituto do Câncer.
Segundo o secretário interino, o que mantém os plantões a distância é um contrato de incentivo, com validade de 60 meses, no valor de R$ 556 mil mensais para os três hospitais. O contrato foi assinado em maio de 2009 após a greve de médicos e fechamento dos pronto-socorros. ''Houve uma pressão muito grande e acabamos repassando os recursos municipais a título de incentivo, para ter a normalidade do trabalho.''
Os recursos contratuais foram cortados em maio deste ano e, como ajuda ao município, o Governo do Estado, repassou nos últimos três meses - o prazo se encerra em 31 de agosto - os recursos para que os hospitais de Londrina mantivessem o atendimento. ''Não tínhamos mais orçamento para os plantões à distância, que custam muito mais do que outros serviços, e o prefeito mandou suspender o repasse'', relatou Nishida. Ele não soube dizer qual valor restará no orçamento para manter e aumentar os plantões presenciais.
O secretário também reclamou que os hospitais não forneceram uma prestação de contas sobre os gastos com os plantões a distância. ''Eles não nos informaram quantos médicos estão envolvidos e de quais especialidades eles são'', disse. Segundo ele, foram encaminhados pedidos de informações em 30 de junho e 15 de agosto. O Evangélico informou à FOLHA que os plantões a distância envolvem cerca de 200 médicos de 28 especialidade e o custo é de R$ 130 por plantão de 24 horas.No plantão a distância, o médico não precisa ficar na unidade, mas está de sobreaviso: deve comparecer ao hospital quando for chamado.

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