Curitiba - Parto normal ou cesárea? Quase 42% das mulheres brasileiras escolheram a segunda opção, em 2004, segundo último levantamento do Sistema de Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde. Para reduzir o número de intervenções cirúrgicas, o ministério lança, hoje, uma campanha, que distribuirá, em todo o País, cerca de 90 mil cartazes e 3 milhões de fôlderes sobre os benefícios do parto natural.
De acordo com o Ministério da Saúde, o material será entregue, prioritariamente, para mulheres grávidas e profissionais dos serviços de saúde públicos e privados, que atendem gestantes e realizam partos. A campanha faz parte das ações do ministério em comemoração ao Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, lembrados no último domingo.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, no Paraná, foram realizadas, em 2005, 30.075 cesarianas, o que representa 28,8% do total de nascimentos registrados nos hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Outros 74.175 bebês nasceram de parto natural. A secretaria não monitora os partos normais e cesáreas realizados em hospitais particulares.
Para o diretor da Maternidade Victor Ferreira do Amaral uma das instituições que atendem pelo SUS, em Curitiba , José Sória Arrabal, a campanha é válida, sob o ponto de vista da saúde pública, pela preocupação do governo federal em reduzir os custos com cirurgias. Por outro lado, ele discorda do alarde em torno dos riscos da cesariana, pois os avanços na medicina permitem a adoção de medidas preventivas para evitar, ao máximo, infecções ou outras consequências indesejáveis.
Uma das principais críticas em relação à cesárea, lembrou Arrabal, é em relação à prematuridade do bebê. Mas, para ele, atualmente, com o exame de ecografia é possível calcular a idade do feto e eliminar o risco do nascimento prematuro.
O risco de morte entre gestantes e bebês, destacou o médico, é maior na cesariana feita às pressas por alguma complicação no momento do parto. ''Nesses casos, muitas coisas podem acontecer tanto para a mãe como para o bebê'', acrescentou. Dos cerca de 320 partos realizados na Maternidade Victor Ferreira do Amaral, entre 27,5% e 28% são cesarianas.
Na rede hospitalar do SUS, o número de cesarianas é limitado e, mesmo assim, as intervenções cirúrgicas só são realizadas por indicação formal, isto é, quando o parto natural não é recomendado por possíveis implicações para a gestante ou para o bebê. As cesarianas pré-marcadas, normalmente, são indicadas nos casos de desproporção entre o tamanho do bebê e a bacia materna; quando a placenta recobre todo o orifício do útero; e quando a mãe é portadora do HIV, entre outras situações.
Hoje, o Ministério da Saúde lança, também, a quinta edição do Prêmio Nacional Professor Galba de Araújo, em reconhecimento à humanização da assistência obstétrica e neonatal e incentivo ao parto normal. Cinco instituições da rede SUS uma por região receberão R$ 50 mil cada para incrementar ações em favor do parto humanizado.

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