Saúde depende de vida mais humanista
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de setembro de 2001
Érika Pelegrino<br> De Londrina 
O tempo é senhor do castelo em um planeta globalizado. As 24 horas do dia são cada vez mais exíguas para todas as atividades que o homem passou a acumular diante da rapidez com que entra em contato com o mundo. Exposto a uma quantidade de informações inimagináveis antes dos computadores, da Internet, o homem, que não conhece mais fronteiras espaciais, já não reconhece mais as fronteiras entre o mundo e si mesmo.
Diante das benefícios do mundo cibernético o homem perdeu em qualidade de vida. O distanciamento das relações humanas, cara a cara, o surgimento das doenças da modernidade são frutos de facilidades hoje oferecidas pela vida moderna. O médico do trabalho, da medicina do esporte e ortopedista, Áureo Cinagawa, afirma que o homem sofre com as doenças do ''ócio'' (o homem passa a maior parte do tempo sem se movimentar).
Hipertensão, obesidade, colesterol, distúrbios de comportamento, diabetes, gota, nunca estiveram tão em moda. Cinagawa falou sobre o assunto em palestra para os funcionários da Folha durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat). A adoção de uma filosofia de vida mais humanista, voltada para o autoconhecimento, são a chave para o homem moderno conservar sua saúde, segundo o médico.
''É preciso pensar por que se está vivo. Qual sua missão na vida'', afirma Cinagawa. Questões filosóficas, que na ótica do médico, são importantes para quem busca qualidade de vida. ''Ter saúde não se resume a não estar doente, mas em ter reservas fisiológicas'', diz. Para isto, segundo Cinagawa, é preciso desacelerar e aprender a respeitar os limites do próprio corpo.
O médico faz uma analogia simples, mas concentra bem o espírito da vida moderna. Cinagawa diz que não é porque se tem um carro que chega a 220 km/h que se deve andar a toda velocidade o tempo todo. O homem pode andar a 90 km/h e, quando precisar, acelerar para 120 km/h lançando mão de suas reservas fisiológicas.
A receita é simples: ''Viver da maneira mais simples possível, descomplicar, ter tempo para o lazer'', diz Cinagawa. Utilizar mais o corpo, fazer mais exercícios, andar mais, é fundamental. ''A vida moderna propicia muitas facilidades para o homem, promovendo doenças. Por natureza o corpo é preguiçoso, então temos que treiná-lo, ter um espírito mais empreendedor. O corpo não pode ficar parado'', ensina.
Hoje, segundo o médico, as aptidões físicas são programadas dia após dia, ano após ano, provocando a perda da versatilidade do corpo. ''Na zona rural as pessoas desenvolvem atividades que trabalham mais o corpo. Já na zona urbana passam a maior parte do tempo sentadas.''
O segredo está em trabalhar estas aptidões físicas que o homem deixa ''engaioladas'' para conseguir um corpo versátil. Para isto é preciso incluir na vida diária a educação física, assim como se educa o cérebro com estudos. Cinagawa defende que o homem precisa estar atento também para a teoria da educação física para desta forma conhecer o funcionamento do seu corpo. ''É preciso estudar este manual. Tenho que correr, porque preciso suar, porque o sangue precisa circular'', exemplifica.
A receita básica de Áureo Cinagawa é ''abrir o coração, sorrir, se conhecer, desacelerar''. Ele observa: ''Não se trata de culto à preguiça, mas de respeitar os seus limites.''


