Nos primeiros quatro meses do ano 204 pessoas atacadas por animais procuraram a saúde pública de Cascavel (PR) para se vacinar contra a raiva. O número foi divulgado esta semana pela Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde que também registrou dois casos de leptospirose e um de leishmaniose – doenças contraídas através do contato com animais, as chamadas zoonoses.
O gerente da Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde, Valmor Passos, afirma que a leishmaniose, que é transmitida pelo cachorro, cavalo e roedores, causa maior preocupação. Apesar de ter sido detectado apenas um caso, a doença vem crescendo no município devido ao elevado crescimento de cães abandonados nas ruas. ‘‘Já enviamos para Curitiba dezoito cães, para que sejam realizadas pesquisas que indiquem se os cachorros estão contaminados com a leishmaniose ou até mesmo com raiva’’, completa.
Passos explica que a leishmaniose é uma das afecções dermatológicas que merece maior atenção não só pelas deformidades que podem causar no homem, como também pelo envolvimento psicológico do doente, uma vez que pode ser considerada uma doença ocupacional.
Segundo Passos, a doença pode manifestar a forma visceral, com desenvolvimento de feridas internas, e a tegumentar americana, que causa feridas na pele.
O gerente da Vigilância Sanitária diz que, para combater a leishmaniose e outras doenças transmitidas por animais, a única solução é a criação de um centro de zoonoses, que ajudaria a alertar e a conscientizar a população e as autoridades do setor sobre a gravidade do problema. ‘‘A Vigilância recebe mais de cem pedidos por dia para atender casos envolvendo animais, mas sem esse centro não há condições de atender a todos’’, destacou.
Passos lembrou que em fevereiro foi encaminhado ao Ministério da Saúde protocolo solicitando a implantação da unidade. ‘‘A parte técnica já está concluída, mas falta o trabalho político para agilizar as verbas necessárias ao projeto.’’
Morte de bebê A leishmaniose visceral fez sua primeira vítima no Estado de São Paulo este ano. O bebê Stefani Augusta dos Santos, de quatro meses, morreu ontem de madrugada em Araçatuba, vítima da doença, depois de uma semana internado na Santa Casa. É a quinta morte registrada na cidade desde que foi detectada a doença, em 1998, segundo a Secretaria da Saúde do Estado. (Com Agência Folha)

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