São Paulo- A tirania da fita métrica é uma das faces conhecida do mundo da moda. Para tentar uma carreira internacional como a de Gisele Bundchen, o quadril deve medir no máximo 90 centímetros de largura e a altura não pode ser inferior a de 1,70 metro. Quem não nasceu com a genética ideal para o trabalho, tem de lançar mão de dietas e exercícios físicos para tentar chegar lá. Nem sempre os métodos são os mais saudáveis. Há quem faça dietas malucas, como passar o dia à base de abacaxi, e até desenvolva distúrbios alimentares por conta disso. Mas casos extremos como a da modelo Ana Carolina Reston, de 21 anos, que morreu de anorexia nervosa e bulimia, no entanto, são exceções e não uma regra no mundo da moda.
As maiores agências de modelo tentam amenizar a pressão da carreira com uma estrutura de apoio, que inclui médicos. Algumas contam com o apoio da Universidade Federal de São Paulo, que disponibiliza atendimento com uma equipe multidisciplinar. O foco são as new faces, adolescentes de 10 a 19 anos. Das 1.200 modelos atendidas, segundo a universidade, apenas três de cada dez garotas correm risco de desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como a anorexia.
Como nem sempre as garotas aparecem ao ambulatório da Unifesp, a Ford Models presta atendimento domiciliar. ''Toda a semana uma nutricionista vai até o apartamento das modelos ver como anda o cardápio delas'', diz Adriana Ogata.
Ana Carolina era da L'Equipe Agence desde julho de 2005. Na época, a modelo estava no México e começou a trabalhar para por intermédio de uma parceira mexicana que avisou sobre o fato da modelo estar muito magra. Após três meses, Ana foi enviada ao Japão, mas, no primeiro casting que passou, desmaiou durante os trabalhos. Por isso, voltou para o Brasil para ficar com a mãe. ''A L'Equipe ofereceu tratamento'', diz Geise Strauss, prima de Ana. Mas a modelo não apareceu nas consultas.

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