Cinco meses depois de identificar um surto de toxoplasmose nas instalações do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), na zona sul de Londrina, o Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde confirmou ontem outro surto da doença, desta vez na unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instalada no Distrito da Warta, na zona norte.
De acordo com a gerente da Vigilância Epidemiológica de Londrina, Rosângela Libaroni, 73 pessoas apresentaram sintomas da doença transmitida pela fezes de gatos entre o fim do ano passado e final de janeiro. Os exames confirmaram 20 casos de toxoplasmose aguda e descartaram outros dez. O restante dos casos ainda segue sob investigação à espera de laudos oficiais. Três gestantes apresentaram sintomas, mas não foram contaminadas.
A força-tarefa montada para tentar identificar a origem da contaminação conta com a parceria do da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O chefe do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da UEL, Italmar Navarro, informou que a investigação segue em fase de análise, mas adiantou que a contaminação por meio da água foi descartada. Ele também lembrou que não houve conclusão sobre o foco de contaminação que provocou o surto da doença no Iapar no final do ano passado, após uma série de análises laboratoriais.
Na tarde de ontem, os bebedouros da Embrapa que estavam lacrados foram reativados. Já o refeitório permanece interditado. Rosângela informou que todas as pessoas que foram contaminadas serão ouvidas para saber se comiam no refeitório local. "Se não é a água, a suspeita recai sobre a comida. Temos que saber a procedência deste alimento, por causa do risco de surto em outros locais da cidade", alertou Rosângela.
A assessoria de imprensa da Embrapa informou que desde o início do surto, quando a suspeita era de dengue, colabora com as investigações da Vigilância Epidemiológica, seguindo todos os protocolos e observando as medidas cautelares. Segundo a Embrapa, todos as pessoas passam bem e, com a liberação da água, a unidade retomou a rotina normal.
Em outubro do ano passado, 93 pessoas foram contaminadas pela doença na sede do Iapar. Na época, mais de 800 pessoas foram submetidas a exames. Mesmo após as autoridades em Saúde descartarem a água como a causa do surto no Iapar, uma bica que fornecia água para a população foi fechada pelo órgão.

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