A Secretaria de Saúde de Londrina confirmou nesta quinta-feira (24) dois novos casos de sarampo. Sobe para três o número de pessoas que contraíram a doença na cidade. No Estado, são 231 casos confirmados. Não houve mortes em decorrência da enfermidade até o momento.

Sônia Fernandes e Felippe Machado enfatizam a importância da vacinação contra o sarampo
Sônia Fernandes e Felippe Machado enfatizam a importância da vacinação contra o sarampo | Foto: Isabela Fleischmann/Grupo Folha

Os dois novos casos no município são de homens de 19 e 28 anos, moradores da zona leste. O mais novo estava na mesma excursão em que o primeiro caso de sarampo verificado em Londrina, de um rapaz de 18 anos. Ambos foram a uma festa rave em Maringá (Noroeste). O que chamou a atenção da Saúde é que, embora os jovens que foram para a festa não tivessem histórico vacinal, o homem de 28 anos havia recebido duas doses de vacina.

O caso dele é atípico, já que ele não viajou e tampouco teve contato com alguém com sintomas da doença. "Ele tomou a vacina ainda muito novo e nos últimos 15 anos houve uma alteração da vacina, então essa é uma das hipóteses levantadas para justificar o fato de que mesmo indivíduos vacinados na infância podem adquirir sarampo", pontuou a diretora de Vigilância em Saúde de Londrina, Sônia Fernandes.

Neste caso, os primeiros sintomas apareceram no dia 10 de setembro e ele chegou a ficar internado por três dias no final do mês passado. Contudo, o diagnóstico feito no rapaz não apontou sarampo porque ele levou tempo a apresentar as manchas vermelhas no corpo, que tradicionalmente ocorrem no terceiro dia dos sintomas, de acordo com o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado.

"Esse caso nos alerta que pode haver outros que não foram identificados de maneira correta", disse. O rapaz tinha sintomas clínicos que não indicavam sarampo, segundo o secretário, mas a doença foi confirmada por teste feito duas vezes no Lacen (Laboratório Central do Paraná).

Como a notificação da doença dele foi feita tardiamente, não foi feito bloqueio vacinal nas pessoas com quem ele teve contato ou qualquer monitoramento. O que preocupa a pasta, já que este caso pode significar a volta da circulação do vírus do sarampo em Londrina. Casos de sarampo na cidade não eram registrados desde 1993. Neste ano, além dos três rapazes contaminados, outras seis suspeitas estão sob análise.

O Paraná não tinha casos de sarampo há 20 anos. No último boletim epidemiológico da Sesa (Secretaria Estadual de Saúde), além dos 231 confirmados, 337 casos estão em investigação. A Sesa aponta que 11,6% dos casos confirmados no Estado provavelmente vieram de São Paulo. A zona mais crítica de contaminação é a Região Metropolitana de Curitiba, com 223 casos confirmados e mais 248 em investigação. A 17ª Regional de Saúde, com sede em Londrina, tem quatro casos confirmados (três em Londrina e um em Rolândia). Já Maringá tem dois casos confirmados.

VACINAÇÃO

Imagem ilustrativa da imagem Saúde confirma mais dois casos de sarampo em Londrina
| Foto: Folha Arte

Os primeiros sintomas do sarampo são secreção nasal, febre alta por três a quatro dias, fadiga e mal-estar. Depois, aparecem as lesões na pele, que começam no rosto e se espalham. A doença, transmitida por um vírus via oral, é uma das mais contagiosas do mundo, conforme relata a OMS (Organização Mundial da Saúde). O sarampo tem alto potencial letal.

A maior parte dos casos de sarampo no Paraná é de jovens de 20 a 29 anos, faixa etária que deve receber duas doses de vacina. A orientação da Secretaria de Saúde de Londrina é que seja tomada a tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola.

Para a campanha da dose zero para bebês, 87% do público-alvo foi vacinado no Paraná, enquanto a meta era atingir 95% de imunização. Nesta sexta-feira (25), a campanha acaba, mas isso não significa que os pais não precisem levar os filhos à vacinação mesmo depois, como explica Renato Lopes, chefe da divisão de doenças transmissíveis da Sesa. "Não tem outra forma de prevenir o sarampo além da vacina", ressaltou.

Felippe Machado reforça que de nada adiantam medidas da Prefeitura de Londrina - como checagem de carteiras de vacinação de alunos de CEIs (Centros Educacionais Infantis) e CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil), - se não houver conscientização de pais e responsáveis. No dia D da vacinação da dose zero, apenas 62% foram vacinados em Londrina, segundo Machado.

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