Um caminhoneiro com cólera, que recebeu alta do Hospital Municipal de Castro, Centro-Sul do Estado, na última terça-feira, e seis suspeitas sob investigação em Morretes confirmavam ontem a tendência de que a cólera está se alastrando para outros municípios do Paraná. O número de doentes também voltou a aumentar em Paranaguá: passou de 242 no dia anterior, para 292 até o meio-dia de ontem.
O caminhoneiro, de 43 anos, que recebeu atendimento hospitalar em Castro contraiu cólera depois de ter estado em Paranaguá na quarta-feira da semana passada, descarregando carga. Ele comeu frutos do mar num restaurante localizado no pátio de triagem do porto e seguiu viagem. No dia seguinte, apresentou os sintomas da doença e foi internado em Castro. O caso foi confirmado ontem pelo secretário estadual de Saúde, Armando Raggio.
A suspeita mais grave em Morretes é a de um rapaz de 19 anos, internado ontem no hospital local com forte diarréia e vômitos, sintomas típicos da doença. Esse paciente não esteve em Paranaguá - o foco da epidemia - e teria se alimentado de mariscos colhidos no braço de mar da localidade de Barreiros, próximo ao Iate Clube de Morretes. O resultado dos exames de uma mulher de 28 anos, que é moradora de Guaraqueçaba e com suspeita de ter contraído a cólera, deve ser conhecido hoje.
Numa operação de busca nas ilhas próximas a Paranaguá, duas pessoas foram transferidas para a Santa Casa de Misericórdia para serem reidratadas. Uma criança de dois ano, na Ilha São Miguel, e um homem de Alexandra apresentaram sintomas como a diarréia.
Depois de uma leve queda na segunda-feira, a quantidade de pessoas contaminadas em Paranaguá voltou a subir ontem à tarde. O último boletim apontava um número de doentes muito próximo de 300. O crescimento desta terça-feira contrariava a afirmação feita no dia anterior pelo secretário estadual de Saúde, Armando Raggio. ‘‘As pessoas que tinham de ser contaminadas deste foco, já se contaminaram’’, apostava, dando indicação de que a epidemia estaria em queda. Até o número de internados ontem, em Paranaguá, voltou a subir de 22 no dia anterior, para 31.
A divulgação do novo número, com o aparecimento de 50 novos casos num período de 24 horas também confirmou em parte a informação divulgada no início da semana pelo Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde (Sindsaúde). A direção da entidade garantia que o número de casos oficiais chegava a 307, relatório veementemente rechaçado por Raggio.
‘‘Epidemia de cólera não se controla de um dia para outro’’, rebate a presidenta do Sindisaúde, Mari Elaine Rodella. Ela voltou a responsabilizar o governo pela ausência de investimentos na saúde pública em Paranaguá.
O coordenador da campanha de combate a cólera da Secretaria de Estado da Saúde, Isaías Cantoia Luiz, classificou como ‘‘normal’’ a volta do crescimento dos casos da doença. ‘‘É o comportamento típico da cólera. Ela não mantém um quadro crescente ou decrescente’’, alegou.

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