A saúde bucal de uma criança começa já na barriga da mãe. Para evitar má formação facial no bebê, incluindo os dentes, a gestante deve estar saudável - e sua boca também. Mas muita gente não sabe disso. Acredita-se até que, durante essa fase, a mulher não pode tratar dos dentes. Erro crasso, segundo a odontopediatra Adriana Mazzoni, que lançou o ''Guia Prático de Odontologia para Gestante & Bebê'' (Editora Videomed).
''A gengiva da mulher pode ficar mais sensível por causa das mudanças hormonais que ocorrem durante a gestação e, dessa forma, fica também mais vulnerável a sangramentos e inflamações'', alerta Adriana. ''Alguns estudos sugerem que problemas sérios na gengiva, como periodontite, podem antecipar o parto, porque a inflamação aumenta a produção de prostaglandina, que é uma substância do organismo que induz a contração. E bebês prematuros são mais suscetíveis a cáries.''
Há outras lições passadas por um odontopediatra especializado também no atendimento a gestantes. Por exemplo, como amamentar de maneira correta para não prejudicar o desenvolvimento da arcada dentária e o maxilar do bebê; qual a mamadeira mais indicada para cada situação; como administrar a chupeta para que a fala não seja prejudicada posteriormente; quando e como fazer a primeira higienização na boquinha antes mesmo de os dentes nascerem, etc.
Muito comum nos Estados Unidos, a odontopediatria no Brasil é ainda procurada por poucas mulheres que têm acesso a informação e podem pagar pelo serviço. ''Costuma-se levar a criança ao dentista quando ela tem entre 2 e 3 anos, geralmente, quando apresenta algum problema'', diz Adriana. ''Em vários casos ela chega ao consultório com os dentinhos bem mais comprometidos do que uma simples cárie.''

CUIDADOS - Com a gengiva saudável, o bebê fica mais protegido de doenças como sapinho (infecção causada por fungo). Além disso, esse cuidado condiciona a criança para a higiene bucal, facilitando muito o hábito da escovação no futuro. ''A prevenção reverte em economia, uma vez que não há necessidade de tratamentos caros e demorados depois. Deve-se fazer apenas a manutenção'', lembra Adriana, que dá cursos para gestantes e profissionais da área, em instituições de odontologia. ''Não basta apenas prevenir cáries, mas também problemas musculares, faciais, de fala, ortodônticos e estéticos.''
A primeira visita ao odontopediatra pode ocorrer no segundo trimestre de gestação, época em que a mulher está mais confortável, pois já passou pelos incômodos dos três primeiros meses iniciais. A próxima visita deve ocorrer por volta dos 6 meses de idade do bebê, quando nascem os primeiros dentinhos. Esse acompanhamento evita que hábitos nocivos da mãe prejudiquem a saúde do bebê e se perpetuem na infância, adolescência e fase adulta. A começar pela amamentação.
Estima-se que durante a sucção do peito, o bebê faça em média 3.500 movimentos. Assim, os músculos orais e as arcadas se desenvolvem, preparando-os para a mastigação e fala. Por outro lado, o número das sucções em mamadeiras de modelos convencionais cai para cerca de 1.200. Uma diferença que justifica a função imprescindível da amamentação.
A especialista alerta para outro problema: existem mães mal-informadas que cortam o bico da mamadeira para acelerar a alimentação da criança. ''Isso pode causar sérios danos à formação dentária, facial e fala'', explica Adriana.

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