Brasília, DF- O Ministério da Saúde pode deixar de usar a vacina tríplice viral da empresa italiana Chiron em outras campanhas de vacinação. A Secretaria de Vigilância em Saúde registrou 120 casos de reações adversas provocadas pelo imunizante no sábado, primeiro dia de Campanha Nacional de Vacinação. Foram 115 casos de alergia e 5 de choque anafilático notificados em sete Estados, entre eles no Paraná, e no Distrito Federal.
A Secretaria deverá concluir em 30 dias um estudo para verificar o alto número de reações adversas. ''Se for confirmado o alto poder alergênico do produto podemos usá-lo somente na rotina'', afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, referindo-se à imunização normalmentre feita com base no calendário infantil. ''Ou então, descartar totalmente a sua utilização.''
Dependendo do resultado do estudo, o ministério poderá pedir também à fabricante o reembolso do dinheiro usado na compra da vacina. Para a campanha, foram reservadas 5,7 milhões de doses do imunizante italiano, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. No primeiro dia da campanha, foram usadas 1,6 milhão de doses.
Diante das reações adversas, o ministério decidiu suspender o uso da vacina italiana. Em seu lugar, serão aplicados imunizantes produzidos pela Farmanguinhos. A campanha continua em todos os Estados.
Barbosa considera pouco provável a hipótese de que o alto número de alergias tenha sido provocada por falhas na produção da vacina. ''Às vezes, para garantir a eficácia do produto, fabricantes usam mais determinadas substâncias, que podem levar a um maior número de casos de alergia'', disse.
Segundo ele, a tríplice viral da Chiron tem certificado da Organização Mundial da Saúde. Antes de ser usada, ela foi testada duas vezes: pelo fabricante e no Brasil, logo que os lotes chegaram. ''Vacina não é água destilada. É um insumo de saúde, bastante seguro. No entanto, nenhuma delas está livre de provocar reações'', justificou.
O secretário lembrou que, em 1999, a vacina tríplice viral provocou 30 casos de meningite entre crianças. ''A vacina foi substituída no País, mas ainda continua sendo usada em outros locais'', disse.
Até ontem, Barbosa não sabia dizer se as notícias de reações adversas provocaram impacto na adesão dos pais à campanha. ''O produto foi trocado. Esperamos que pais continuem levando seus filhos aos postos de vacinação'', afirmou. Para ressaltar a importância da imunização, ele voltou a citar a epidemia de sarampo registrada no País entre 1997 e 1998, com 53 mil casos da doença e 61 mortes.
O ministro da Saúde, Humberto Costa, também fez um apelo para que ninguém deixe de vacinar os filhos. ''As crianças devem continuar sendo vacinadas. A reação alérgica não vai mais acontecer e, ainda que viesse, a vacina é mais importante para proteger contra caxumba, sarampo e rubéola'', disse. O ministro afirmou, ainda, não haver necessidade de se fazer um alerta sobre os problemas provocados pela vacina, pois os lotes já foram trocados.(Leia mais sobre o assunto em Folha Cidades)

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