Meta do Ministério da Saúde é zerar em 12 meses a fila de espera por cirurgias cardíacas para bebês de até um ano que tenham a doença
Meta do Ministério da Saúde é zerar em 12 meses a fila de espera por cirurgias cardíacas para bebês de até um ano que tenham a doença | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil


O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (11) um incremento no orçamento para as cirurgias cardíacas de bebês que tenham cardiopatia congênita. O valor destinado a este tipo de procedimento passará de R$ 52,2 milhões para R$ 91,5 milhões, o que representa um crescimento de 75,2% e inclui também crianças e adolescentes. A meta é aumentar em mais de 30% o número de intervenções por ano, passando de 9.200 para 12,6 mil.

Anualmente, 28,9 mil crianças nascem com cardiopatia congênita, que é um tipo de má-formação que, em 40% dos casos, requer um procedimento cirúrgico no primeiro ano de vida. É considerada a terceira maior causa de morte para bebês de até 30 dias de vida. Em Londrina, o Hospital Infantil é a única instituição conveniada para realizar esse tipo de procedimento.

Segundo Carla Sandreski, integrante do núcleo de Londrina da Associação de Assistência à Criança Cardiopata Pequenos Corações, a fila de espera é a principal causa de mortes de crianças com problemas cardíacos congênitos na cidade. "A maioria das cirurgias que as crianças precisam é complexa. Como somente um hospital pode fazer o procedimento no município, acaba ficando toda essa demanda reunida em um único lugar. Enquanto isso vamos perdendo vidas", afirmou.

O aumento do repasse é visto como positivo por Sandreski, que acredita que o dinheiro poderá ser usado para a ampliação do número de leitos. "Londrina atende uma região com dezenas de municípios. Então, toda a melhora para o serviço prestado é de grande valia. Quem sabe, com esse aumento, as cirurgias, de um modo geral, poderão ser incrementadas", projetou.

A intenção do Ministério da Saúde é zerar em 12 meses a fila de espera por cirurgias cardíacas para bebês de até um ano de idade que tenham a doença. Relatório elaborado por entidades ligadas ao tema aponta que, das crianças com o diagnóstico da doença no Brasil e que necessitam de cirurgia ou intervenção, cerca de 60% não têm acesso aos tratamentos.

Estudo do Instituto do Coração da Criança e do Adolescente do Ceará mostra que 95% dos nascidos do País com cardiopatia congênita não crítica conseguem sobreviver até os 18 anos de idade. Carla Sandreski considera que a inclusão de crianças e adolescentes no repasse pode ajudar a aumentar esse percentual. "Como não é tão complexo, esse público vai ficando em segundo plano para atender o que é considerado emergência. Entretanto, eles também precisam de intervenções e a procura vai aumentando, assim como entre os recém-nascidos", explicou.

OUTRAS DEMANDAS

Além da expansão da quantidade de leitos para redução das filas de espera, outra demanda apontada pela associação Pequenos Corações é na questão dos diagnósticos. Lei aprovada e sancionada no Paraná em 2012 incluiu o "teste do coraçãozinho" nos exames obrigatórios realizados em recém-nascidos. "Lutamos para que exista o diagnóstico ainda durante a gravidez. Isso é necessário para ajudar tanto a criança quanto a mãe", decretou Sandreski. Com Agência Estado

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