Cláudia Lopes
De Londrina
A entrega dos medicamentos excepcionais Interferon Alfa e Ribavirina, utilizados no tratamento da hepatite C, está em atraso em Londrina. Na última sexta-feira, o secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, admitiu à Folha que existem problemas no fornecimento da medicação. Segundo ele, os atrasos devem ser solucionados somente daqui a seis meses. ‘‘Isso está acontecendo por causa da necessidade de fazermos licitação toda vez que vamos comprar os remédios’’, contou.
No último domingo, reportagem da Folha mostrou relacionados à hepatite no Estado. Na semana passada, a Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar) adquiriu um lote de 1.175 frascos de Interferon Alfa. Ontem, a reportagem entrou em contato através de telefone com a 17ª Regional de Saúde de Londrina, responsável pela distribuição do remédio na região, mas a telefonista informou que os medicamentos só vão chegar no final da semana. Logo em seguida, a farmacêutica Deise Pontarolli, da Cemepar, garantiu que os medicamentos chegam a Londrina ainda hoje.
A farmacêutica disse que várias pessoas que aguardavam na fila de espera estão sendo inseridas no sistema de distribuição dos medicamentos. ‘‘A partir do próximo mês devemos atender todos os pacientes do Paraná que aguardam na fila de espera’’, garantiu Deise Pontarolli.
O fluxo irregular na distribuição dos remédios Interferon Alfa, Ribavirina e Lamivudina atrapalha o tratamento da hepatite por vírus C e B. Por causa da inconstância no tratamento, a comerciária Rosely Moro Pires, de 39 anos, não conseguiu negativar o vírus. ‘‘O tratamento com Interferon demorou dois anos. Mas ficava meses sem receber o remédio. Os atrasos na entrega são constantes’’, reclamou. Rosely está tentando montar uma associação de doentes de hepatite B e C em Londrina com o objetivo de facilitar a distribuição dos produtos na região.
A regularização no fornecimento dos medicamentos excepcionais deve acontecer quando a Secretaria da Saúde fizer o ‘‘registro de preço’’ dos remédios, segundo informou o secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio. ‘‘Estamos levantando o preço justo para termos um parâmetro do preço a ser registrado e que será do conhecimento do Tribunal de Contas do Estado e da Secretaria de Estado da Fazenda’’, disse.
‘‘A partir daí, poderemos passar a comprar os remédios sem licitação, agilizando todo o processo’’, disse Raggio. Atualmente, a secretaria leva de quatro a seis meses para efetivar a compra dos medicamentos. ‘‘Queremos reduzir este tempo para não atrapalhar o fornecimento’’.
Rosely Pires, que diz ter sido contaminada há cinco anos num dos hospitais de Londrina, entrou com uma ação judicial contra o hospital a fim de tentar obter dinheiro para a compra dos remédios, deixando de ser dependente do Estado. ‘‘Não quero mais correr o risco de não receber a medicação. Quebrei a perna num acidente de carro e saí do hospital com o vírus. Infelizmente, o controle de sangue no Brasil é péssimo’’, reclamou. Os interessados em participar da associação podem contatá-la pelo telefone (0xx43) 323-9996.

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