A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES) deve publicar hoje portaria que suspende o comércio de 38 tipos de remédios que, de acordo com laudo do Laboratório Central de Unidades Públicas Noel Nutels, foram falsificados. Os laudos estão sendo analisados por técnicos da Coordenadoria de Fiscalização Sanitária, segundo informou a assessoria de imprensa da SES.
Durante todo o ano, o Laboratório Noel Nutels recebeu amostra de 2.200 medicamentos suspeitos de falsificação, 80% deles apreendidos pela Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Saúde Pública. ‘‘As suspeitas foram procedentes em 10% dos casos’’, afirmou o diretor geral do Noel Nutels, Oscar Berro.
As irregularidades encontradas variam desde rótulos adulterados à composição dos remédios. ‘‘A grande maioria tem entre 30 e 40% do princípio ativo, já que foram produzidos a partir de amostras grátis’’, explicou Berro.
A Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Saúde Pública apreendeu 80% dos medicamentos falsificados e já investiga os casos. ‘‘Esses remédios foram apreendidos em março ou abril, mas só agora os laudos estão sendo liberados pelo Noel Nutels’’, afirmou o delegado adjunto Luiz Antônio Ferreira. ‘‘A maioria dos remédios já está fora do mercado, apenas produtos similares, que podem enganar o consumidor, é que devem constar na portaria da SES’’.
Em seis meses de funcionamento a DRCCSP abriu 70 inquéritos para investigar falsificação de remédios. Pouco mais de 200 pessoas foram indiciadas e três continuam detidas.
O Ministério da Saúde enviou ontem circular a todos os Estados determinando a retirada do mercado de lotes de 38 medicamentos falsificados. ‘‘Estamos comunicando às vigilâncias estaduais, mas provavelmente o problema é localizado no Rio’’, disse o coordenador de Qualidade e Controle da Secretaria de Vigilância Sanitária do ministério, Geraldo Fenerich.
O Rio de Janeiro é o maior foco de problemas com remédios desde o início das denúncias de falsificações, no final do ano passado. De acordo com Fernerich, em 90% dos casos descobertos a falsificação foi com amostras grátis. Para isso, os fraudadores reúnem em uma embalagem o conteúdo de várias amostras. ‘‘Eles criam um registro ou copiam o número de um registro do medicamento que está no mercado’’, explicou o coordenador.
Há meses, o ministério vem negociando com a indústria formas de reduzir a distribuição de amostras grátis para inibir esse tipo de falsificação. A indústria tem na amostra o principal mecanismo de propaganda entre os médicos. Também está em discussão a permanência de um farmacêutico de plantão nas farmácias. Como não há profissionais suficientes para trabalhar em todos os estabelecimentos, o ministério vem negociando com os setores envolvidos um período mínimo.

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