Saúde alerta banhistas sobre acidentes em águas rasas
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de dezembro de 2017
Reportagem Local 
Curitiba - Com a chegada do verão, o número de pessoas que buscam praias, rios, lagos e até cachoeiras aumenta significativamente. Seja para encontrar uma alternativa ao calor ou para conhecer uma nova paisagem, muitos veranistas desconhecem que ali pode estar guardado um grande perigo: nem sempre as águas são profundas o suficiente para um mergulho. Por isso, a Secretaria de Saúde do Paraná alerta para que a população, especialmente os banhistas que estão no litoral, tomem cuidado com locais de águas rasas a fim de evitar acidentes.
Segundo pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, o risco de lesões por mergulhos em águas rasas no país é de 0,3 para cada 100 mil habitantes. Em 67% dos casos, estas lesões resultam no óbito do acidentado antes mesmo que ele possa chegar a um hospital. No Paraná, em 2016 foram registradas quatro internações derivadas de acidentes por pulo ou mergulho. Já em 2017, mesmo com dados preliminares, este número dobrou e o estado já registrou oito casos.
A médica especialista em afogamentos, Lúcia Eneida Rodrigues, que atua no Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, explica que o grande problema é que a população não enxerga a gravidade do perigo que um mergulho em águas rasas pode causar. "As pessoas só se previnem de algo que acreditam ser um problema e, infelizmente, não enxergam isso como um problema", disse.
Em seus 22 anos de profissão atuando como intensivista, infectologista e hiperbárica no litoral paranaense, Rodrigues afirma que todo ano fica sabendo de pelo menos um caso de acidente por tentar mergulhar em águas rasas. "A maioria dos acidentes ocorre por falta de conhecimento do local ou por ignorar regras básicas, como consultar um guarda-vidas e prestar a atenção à sinalização do local. Nem todos que vão a locais mais afastados, como cachoeiras e pedras, por exemplos, sabem se nadar o suficiente para não correr riscos de afogamento nestes lugares. Além disso, as marés e os rios sobem e descem constantemente, o que altera a profundidade das águas e aumenta ainda mais as chances de acidente", enfatizou.


