Saúde ainda desconhece hábitos do mosquito transmissor da leishmaniose em SP
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domingo, 16 de maio de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Araçatuba, SP, 17 (AE)- A Superintendência do Controle de Endemias- Sucen ainda não desenvolve em Araçatuba campanha pública de combate ao mosquito transmissor da leishmaniose, uma doença que passa do cachorro para o homem e que pode provocar a morte se não for diagnosticada com rapidez. Equipes técnicas já constararam alto índice de infestação desse inseto em todos os bairros da cidade, mas segundo as autoridades sanitárias será preciso observar melhor o comportamento dele antes de adotar medidas radicais como a pulverização de residências e empresas.
Até agora, somente as casas localizadas num raio de 200 metros do local onde uma pessoa foi contaminada pela leishmaniose, é que receberam aplicação de inseticida. A pulverização no sistema "roceado" implica em lançar o veneno por todas as paredes das residências, do chão ao teto. O procedimento garante imunização por seis meses, mas ainda é questionado quanto à sua eficiência.
Clóvis Pauliquevis Júnior diretor da Sucen de Araçatuba, diz que por recomendação do Ministério da Saúde será realizado um monitoramento do comportamento do mosquito por mais 15 meses. Durante esse período, o combate será feito através de orientação para que a população colabore eliminando os focos de criação do mosquito que estão nos lixos orgânicos em decomposição. A preferêcia é por fezes de animais. Mas até hoje, não existe qualquer panfleto informativo ou publicidade nos orgãos de comunicação explicando como deve ser o procedimento da população. Pauliquevis disse que a equipe de seis pessoas que visita a cada dois meses as residências de Araçatuba para orientar no combate ao aeds aegypts, transmissor da dengue e da febre amarela, será a mesma que vai prestar informações sobre o mosquito da leishmaniose.
O nome científico dele é Lutzomyia longipalpis e o Brasil só tinha conhecimento de sua ação transmissora da doença em estados nordestinos. Segundo Pauliquevis, naquela região do País os mosquitos nunca foram encontrados de forma espalhada como em Araçatuba. Os índices de infestações na cidade paulista são muito maiores que os de lá. Os motivos, ninguém sabe.
De tamanho inferior a cinco milímetros e chamado de "birigui", o inseto tem dois ciclos de alta infestação. Um de abril a junho e outro de agosto a outubro. Não é a primeira vez que Araçatuba é pioneira como porta de entrada de insetos de outras regiões do País. Em 85, o também desconhecido mosquito Aeds aegypits transmissor da dengue da febre amarela foi localizado pela primeira vez numa borracharia da cidade. As larvas viajaram da região norte, provavelmente em caminhões de gado e desde aquela data a infestação só aumentou, atingiu praticamente todo Estado e o mosquito nunca mais foi eliminado.


