Dois técnicos do Ministério da Saúde estão no Recife para acompanhar as investigações da Vigilância Sanitária do Estado sobre o motivo das mortes de 11 pacientes em seis hospitais particulares. Por enquanto, o maior suspeito é o soro Ringer Lactato, fabricado por uma empresa cearense e que foi usado pelas vítimas.
Familiares das vítimas foram anteontem à Secretaria de Saúde cobrar providências do secretário Giliat Falbo. Ele anunciou a criação de uma comissão para acompanhar os trabalhos da Vigilância Sanitária, que terá representantes dos familiares, Ministério Público, Ministério da Saúde, Conselho Regional de Medicina, Assembléia Legislativa e Sindicato das Indústrias de Medicamentos, entre outras entidades.
Hoje um dos técnicos, Temístocles Alves da Silva, deve viajar a Fortaleza para participar de uma vistoria nas instalações da empresa. O outro técnico da Saúde, Roberto Almeida, destacou que as investigações não podem se fixar apenas no soro. Amostras do produto já foram enviadas, para análise, ao Instituto de Controle de Qualidade de Saúde, no Rio de Janeiro.
Desde sexta-feira, quando foi comunicado sobre a suspeita pela Sociedade de Anestesiologia, o secretário de Saúde mandou suspender o uso do Ringer Lactato em todos os hospitais pernambucanos. Os 25 pacientes sofreram embolia pulmonar, derrame cerebral ou infarto depois de cirurgias. Eles têm idade entre 14 e 90 anos, tomaram medicamentos diversos e foram atendidos por diferentes equipes médicas.
‘‘Algo estranho aconteceu’’, disse Sérgio Novaes, filho da economista Tereza Novaes, 58 anos, que morreu depois de fazer uma esterectomia seguida de plástica no abdome. ‘‘Minha mãe era nova e nenhum dos exames pré-operação demonstraram a existência de qualquer risco.’
O laboratório Endomed, responsável pela fabricação do soro Ringer Lactato, informou ontem, por meio de nota, ter enviado três técnicos a Recife (PE) para investigar a suspeita de que o produto teria provocado as 11 mortes e sequelas em outros 14 pacientes que utilizaram o medicamento. Segundo a nota, os técnicos percorreram ‘‘todos os hospitais’’ à procura de informação sobre eventuais reações, mas nenhum deles ‘‘informou sobre qualquer fato’’ ocorrido com o produto.

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